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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pelo Olhar

Chegará o dia em que não nos veremos mais
Não nos tocaremos 
Nossas palavras não serão ouvidas por nós
Não seremos quem somos
A impermanência mudará tudo
Pensando assim meu coração estremece
Aperta e dói
Não quero pensar nisto
Mas é em vão
Negar esta verdade não muda nada
Por isso melhor aceitar
E assim, a vontade de viver com mais atenção e intensidade chega forte
A vontade de olhar, sentir, ouvir, pensar, tocar, dizer
Impera
Aprendo que cada dia é único
Então não deixo passar
Meus olhos lhe dirijo o mais próximo que consigo
Para quando não formos mais quem somos
Sejamos capazes de nos reconhecer pelo olhar

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Que nos Nivela

Como vivemos?
Nossas cidades quase que completamente pavimentadas. Árvores escassas. Ar impuro e abafado. Carros aos montes a disputar um espaço que diminui. Nossa inteligência colocada à prova através de todos os problemas que enfrentamos, pois quem constrói desta maneira só pode ter sua inteligência questionada.
Vivemos como se estivéssemos à parte de tudo o mais que vive e respira. Passamos por cima deles com nosso egoísmo cego e tolo. Não enxergamos nada além de nossas conveniências e interesses à curto prazo. Tudo é pra ontem. A pressa nos consome, consumindo nossos corações que batem cada vez mais acelerados. Em busca de quê?
Que civilização é esta?
Cuidamos cada vez menos dos nossos filhos. Os conhecemos pouco, apenas esperamos que concluam o que não fizemos. Que herança temos a lhes deixar?
Predadores é que somos!
O mundo que enxergamos nada mais é que a extensão do que acreditamos e somos, desconectados de nosso coração/mente. Cada um cuidando de sua pequena vida, sem enxergar a vida próxima e com isso esbarramos uns nos outros sem nos olharmos.
Qual pode ser o resultado disto?
Quem tem mais pode mais. Quem paga mais fala mais alto. “Se estou pagando tenho direito!” Esta é a ética do momento.
Quem pode mais tem privilégios e se acha seguro de toda a miséria que construímos ao longo de todos estes anos.
E quem não pode como fica?
Quantas pessoas de valor incomensurável estão vivendo de cabeça baixa, pois não estão incluídas no grupo dos que podem mais!
E assim a injustiça mantém sua espada sobre a cabeça de todos.
Mas vêm chuvas intensas, terremotos, ventos absurdos! Medo, confusão, incertezas, perdas. Tudo que construímos aos poucos desmorona.
A segurança que tanto buscamos se desfaz a cada problema que temos que resolver.
Quem pode afirmar que está a salvo e distante do que vemos diante de nós?
Ninguém! Todas as garantias de proteção que implantamos não valem muita coisa quando a terra treme debaixo dos nossos pés, quando a água invade nossas casas, quando o vento derruba as árvores que não cuidamos, quando a terra desconhecida desliza levando consigo quem amamos ou bens que nos apegamos. Não sabemos o que fazer, a não ser pedir ajuda. E aqui já não faz mais diferença quem pode ou quem não pode. Todos estão no mesmo nível!
A natureza com sua idiossincrasia nos mostra que o equilíbrio entre tudo e todos é fundamental. Construir respeitando o espaço em que se está. Respeitar todos os seres viventes. Se relacionar com respeito pela vida de todos.
A natureza nos coloca em xeque, não como uma entidade superior e à parte, mas nos inserindo em seu contexto e nos iluminando a mente para que possamos perceber a verdade de que tudo está interligado, que dependemos uns dos outros e que toda escolha tem sua consequência. Ninguém está seguro se estiver fechado em seu núcleo egoísta e exclusivo.
Não acredito em castigo, mas em oportunidade para mudarmos a rota que estabelecemos.
Diante de tudo, a única coisa que nos consola é percebermos o melhor, a solidariedade.
Aposto na nossa capacidade de admitir que quanto mais isolados e ensimesmados, maior será nossa fragilidade e condenação.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn


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NOTA

As fotos utilizadas neste blog são da web ou de amigos, como Bell Felipe, Jac Rizzo (http://jacrizzo.blogspot.com), Adriane (http://tramasecacos.blogspot.com). As telas de pintura são de minha autoria.