TEXTOS AUTORAIS

Todos os textos aqui publicados são de autoria de Ala Voloshyn.
Direitos autorais são protegidos pela Lei 9.610, de 19 de Fevereiro de 1968.

ONDE MAIS O QUE ESCREVO É LIDO

PESQUISE ESTE BLOG

sábado, 17 de dezembro de 2011

É Possível Ser Feliz


Parando o tempo, olhando o mesmo ponto, repetindo uma história que insiste em marcar tempos infelizes. Lágrimas revelam a dor maior de não ser feliz. Tudo se mostra do mesmo jeito embora a vontade seja de algo diferente, mas as raízes parecem profundas a sustentar visões que na verdade não se deseja esquecer. E assim se fortalece uma prisão lunar difícil de se livrar.
Difícil sim, mas impossível não. Nada é impossível para aquele que traz a esperança a apontar para um Norte certo de existir.
O choro intenso leva para as profundezas da alma como aquele que dá impulso maior para mais fundo mergulhar. E quando se atinge o fundo é sinal de que é chegada a hora de voltar. Subir, cada vez mais rápido subir e na superfície encontrar o sol a brilhar. Um sol que sempre esteve em seu lugar, mas encoberto pela tristeza da desesperança e pelo vício do olhar.
Quem ao fundo chegou jamais será o mesmo quando mergulhou. Quebrar barreiras, destruir as fronteiras que isolam e violam o direito de se libertar. A vontade é soberana e ousar é a regra para mais alto estar.
É preciso acreditar que a vida pode brilhar, mesmo que seja por um instante e viver diferente o que não mais podia pulsar.
Vida nova surgindo do velho padrão trazendo a certeza de que é possível ser feliz, mesmo que por um instante, uma pequena fração capaz de mudar permanentes dias de escuridão. Alquimia no poder de se transformar a cada desejo de ser feliz e se elevar a outros mundos por intermináveis dias ou por um instante, o que não faz diferença, pois nas Alturas não existe o tempo que o concreto insiste em pautar, tudo é infinito e pulsa sem parar.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Obra de Modigliani

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Carta a um Déspota

                                        
Sua cara amarrada mostra que sua vontade foi contrariada. Seus olhos duros demonstram que olha apenas para um único ponto, o seu, caso contrário, teriam movimento e brilho. Por enquanto não sei onde errei ou se errei! Nada talvez possa contentá-lo, pois sua interação é pobre, não existe diálogo, um árido monólogo insiste em manter.
Meu corpo enrijece por sentir o peso que sua vontade exerce sobre a minha. Dessa caverna que me obriga a ficar eu não tenho como fugir a não ser que eu queira, mas meu querer por enquanto está oprimido pelo medo que tenho de escapar.
Mil fantasmas me assombram, empalideço e não acredito em nada que me diz, mas finjo acreditar por não poder dialogar.
Tudo cansa, mas onde está minha força e vontade se não as encontro em lugar algum? Deve haver uma saída! Tem que haver! Muito pouco conseguirei avançar se continuar a olhar para o chão com medo de encarar o destino que teci.
Sua força não deve ser tão maior que a minha, se assim o fosse não conseguiria me dominar, pois só há domínio onde há resposta igual. Tem que haver uma saída! Minha liberdade preciso recuperar, pois só assim conseguirei ouvir a voz do meu coração que me guia e me conduz ao que devo alcançar. Sendo assim devo a caverna deixar e o medo enfrentar. Talvez eu possa! Devo pensar que posso. Devo encontrar uma maneira de poder! E onde procurar a força que não sei mais como encontrar?
Procuro, penso e percebo que sua cara amarrada é a mesma das carrancas usadas para espantar os monstros! Quem tem medo é você, pois se não o tivesse não precisaria me dominar, livre estaria para viver. Seu medo oprime e eu  temo por acreditar em algo que insiste em me mostrar.
De que tenho medo? De uma carranca? Isso posso enfrentar! Sendo assim é melhor me apressar, muito tempo já perdi por acreditar em uma imagem. O medo é seu e dele posso me livrar, não preciso me manter frágil para provar que sua força é real.  Na verdade sua força é frágil! E meu medo não passa de uma alucinação!

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Imagem do Google


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Cópia Barata

                                                          
Você fala, eu escuto. Por eu escutar, você fala mais. Por você falar mais eu escuto mais. De tanto ouvir acredito em você. Por acreditar em você repito o que me disse e falo também para outro ouvido me escutar. E assim de boca em ouvido espalhamos uma história que pode ser verdadeira, mas pode ser uma convincente mentira também.
Depois que a história se espalhou quem pode deter o que se falou? Verdades e mentiras movem-se na direção do vento e o último a ouvir talvez esteja muito distante do que se falou.
Quem conta uma história a conta por si. Contaminações emocionais tornam as histórias únicas. Deturpações podem endeusar ou demonizar e se assim for feito quem pode as histórias modificar? Disseminamos o que não podemos controlar. As consequências ninguém consegue prever mesmo que intencionalmente o alvo exista. E ele sempre existe! Quem conta tem seu objetivo definido, mas quem ouve nem sempre sabe ao certo por que.
Irresponsáveis os que contam e os que ouvem e dão continuidade, também.
Quantas pessoas foram injustamente condenadas por opiniões cegas e quantas tiveram seu valor enaltecido sem merecerem uma vírgula do que tenha sido dito?
Adquirimos a linguagem para nos comunicarmos, colocar um pensamento, sentimento e tudo o mais. É uma ferramenta que em si não é boa nem má. A intenção dá o valor benéfico ou não.
Criamos uma enorme rede que se difunde sem fim e por isso avaliar com inteligência o que se ouve e decidir se iremos ampliar ou não o que recebemos é infinitamente importante.
Falar, ouvir, multiplicar ou calar são escolhas!
Escolha, não seja mais uma cópia barata andando por aí!

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Google

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Foi


ele se foi
triste e só
como sempre

não foi o cigarro
não foi o álcool
nada foi mais letal
que viver a tristeza sem compreender por que sofria

era o Sol
mas a Lua viveu

por suas dores fez sofrer
por suas dores sofreu

seu corpo depauperado
delata que a tristeza o derrotou

 mostra sua carne
que morrer assim é viver a delicadeza de Alma
sem conseguir da tristeza se libertar

de tristeza morreu
de tristeza viveu

© Direitos reservados a Ala Voloshyn
Ilustração: da Web







quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Mulheres Gostam de Lutinha


                                             
Nós mulheres por muito tempo competimos entre nós. Nada importa, a não ser conseguir superar a outra, em que, também não importa, contanto que haja uma vencedora.
Se ela é alta é preciso ser pelo menos mais bonita. Se seus seios são proeminentes é preciso superá-los nem que seja com um soutien que dê volume onde não há. Celulite é algo que ela tem, mas só ela, como se isso fosse possível! Se for popular é melhor ser mais. E o cabelo? Sem comentários! Se o assunto for homens, aí então as coisas ficam muito mais sérias, pois este ser não pode faltar, mesmo que esteja apenas de corpo presente.
Assim passam-se os anos e mulheres disputam como meninos que brincam de lutinha para verem quem é mais forte e melhor.
Mas um dia isso tem que mudar e muda, pelo menos para algumas mulheres. Em algum momento elas se cansam das lutinhas. Cansam de medir suas forças. Desinteressam-se pela opinião do outro a seu respeito e passam a se interessar pela sua própria opinião. Percebem que suas vidas são mais importantes que tudo. Gostam do seu corpo como ele é. Preferem sua saúde e disposição para realizarem o que escolherem. Alegram-se por estarem vivas e não se importam com a idade, respeitam seus anos de experiência e sabem que suas rugas são realmente sinais de expressão. Não querem mais um homem ao lado, mas procuram um companheiro, já se conhecem, observaram-se o suficiente para isto.
Mulheres que amadureceram e por isso deixam as lutinhas de lado e trabalham pelo seu próprio encantamento e aprimoramento. São felizes por poderem ser somente o que são: mulheres, exercendo suas vidas como sentem e querem.

Ilustração: da Web

domingo, 2 de outubro de 2011

Palavra


Palavra
Qual seu valor?

É capaz de engrandecer
Estimular
Ferir
Destruir

Quando proferida com amor 
Enaltece
Corrige

Quando usada para difamar pode destruir

Palavra lançada ao vento
Quem consegue deter?
Seu resultado depende da mente que a receber
Se encontrar apoio vivificada está
Se não for acolhida morrerá

 © Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: imagem da Web



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ofício


                                                           
Um dia pela manhã enquanto tomava meu cafezinho, que adoro, fiquei pensando em qual é de fato meu ofício, meu verdadeiro trabalho. Ouve-se tanta coisa a respeito que a confusão muitas vezes é inevitável. Há quem diga que é demais importante realizarmos nossos talentos, mas nem sempre é uma questão fácil de perceber. Então continuei a pensar e cheguei a uma grata conclusão. Meu ofício é provocar a reflexão! Hoje o faço quando escrevo, conto uma história, converso ou enfrento um problema. Sempre busco a compreensão do que vivo e não tardo em compartilhar o que percebo, pois gosto muito de dividir minhas ideias.
A forma poderia ser outra, não através da escrita, mas arte cênica, jornalismo, pintura, dança, servindo um delicioso cafezinho e conversando, ministrando aulas em uma escola, vendendo livros e assim por diante. A forma pode ser incalculável e mudar durante a vida, mas a essência precisa permanecer, no meu caso, provocar a reflexão. Isto me faz muito feliz, sinto-me útil e consigo utilizar meus talentos que demorei muito tempo para aperfeiçoar e sei que ainda tenho muito a aprender e desenvolver e não me cansaria ao fazê-lo, pois faço o que gosto e acredito. Faço o que mantém minha alma em paz.
E o seu ofício qual é? O que o faz sentir-se útil e feliz? Se o tem claro, não abra mão por nada, mas se ainda não sabe busque-o ao refletir sobre o que mais ama fazer e oferecer.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: da Web

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Enigma




Ao estar em minha cama, percebi que meu All Star não está onde deveria estar.
Onde está meu All Star?
Pois onde deveria estar, meu All Star não está!

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: foto de família.

Olhar Indiscreto



Olho pela janela
e não entendo o que vejo.
Gente apressada sem um mínimo de desejo.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn


Ilustração : da Web

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Salve São Jorge!


O que está acontecendo? Parece que abriram todas as jaulas e as feras estão soltas! Não entendo mais nada! Enlouqueceram de raiva? Trânsito maluco, todos com pressa querendo chegar ao mesmo tempo no mesmo lugar, desrespeitando totalmente as leis da física. Gente irritada atacando o primeiro que cruza seu caminho. Credores arrombando as portas de seus devedores. Bandidos invadindo espaços que não são seus. Homens matando mulheres. Mulheres matando crianças. Deus do Céu, é difícil entender!
É trabalhoso tentar uma relação de paz, tem sempre quem perturbe pelo simples prazer de perturbar!  De onde veio tudo isso? Final dos tempos? Mas que tempos? Parece que a violência contida perdeu seu controle e agora "salve-se quem puder"!
Cansei. Estou muito cansada e às vezes tenho a impressão que falo grego e não consigo me fazer ouvir. A cada passo que dou tenho que recolher meus sentimentos muitas vezes violados.  A ética, o bom senso, a amizade, tudo parece estar saindo pelo ralo e não adianta muito segurar, vai pro ralo mesmo!
Fico pensando, de onde vem tanta raiva e violência? Só posso chegar à conclusão que de nós mesmos! Por muito tempo boicotamos nossa evolução, fazendo por fazer, abaixando a cabeça para opressores burros. Por muito tempo fizemos de conta que fazíamos algo, mas nada fazíamos e acumulamos lixo, muito lixo que agora transborda de dentro de nossos compartimentos internos. Dane-se! Quem mandou? Agora é melhor começar a limpar o que já está fedendo há muito tempo! E não tem saída pra ninguém! Ou limpa ou limpa!
Por via das dúvidas vou rezar, sei que mal não faço. Meu São Jorge! Guerreiro, desperta-me e faça-me lutar com meus próprios dragões e ajude-me a vencê-los e transformá-los em algo melhor! Salve-me São Jorge! Salve-me de mim!
"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge.
Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem,
tendo mãos não me peguem,
tendo olhos não me vejam,
nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal.
Armas de fogo o meu coro não alcançarão,
facas e lanças se quebrem sem ao meu corpo chegar,
cordas e correntes se quebrem sem ao meu corpo amarrar.
São Jorge, cavaleiro corajoso, intrépido e vencedor abre os meus caminhos,
ajuda-me a conseguir um bom emprego,
fazei com que eu seja bem visto por todos: superiores, colegas e subordinados.
Que a paz, o amor e a harmonia estejam sempre presentes no meu coração, no meu lar e no meu serviço. Vela por mim e pelos meus, protegendo-os sempre, abrindo e iluminando os nossos caminhos, ajudando-nos também a transmitirmos paz, amor e harmonia a todos que nos cercam."
Amém. © Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: da Web




sexta-feira, 22 de julho de 2011

Karma

O que vai volta
Acreditam muitos
Mas talvez não vá nem volte

Se mal lhe quero
Mal preciso produzir em meu coração
Se bem lhe quero
Bem preciso fazer brotar em minha intenção

Assim é
Aquilo que crio lhe dou
Aquilo que crio determino

O que sai de dentro de mim
Mantém-se assim em meu coração como o fiz
Até que um dia encontre um igual.
Um espelho
Um reflexo de minha criação

Se benefício criei, beneficio verei
Se dor criei, dor verei

Reflexo
Espelho
Criação

O que vai permanece também  na fonte de sua criação
E é na fonte que tenho que buscar a razão
De minha paz ou expiação.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Imagem da Web





terça-feira, 12 de julho de 2011

Uma Pequena História

Aos meus dez anos, assistindo uma aula chata, tive uma magnífica ideia para sair daquela chatice. Levantei da minha carteira chata e fui até a professora chata e lhe disse com toda dramaticidade que encontrei no bolso da minha jaqueta chata: "professora, não me sinto bem, estou com dor no coração!"  Ela olhou espantada e rindo falou: "que é isso menina, coração não dói, vá sentar!" Todos riram, pois ela chata como era, falou bem alto a sua sabedoria e eu sem ter muito o que dizer fui sentar para continuar naquela aula chata. Nem prestei atenção no que acontecia, fiquei pensando por que coração não dói? Não sabia disso, se soubesse teria inventado outra dor!
Hoje, já adulta, lembrando daquela situação, cheguei a minha conclusão: aquela professora, além de ser chata, não sabia de nada, pois coração dói sim! Dói quando nos magoam, contam uma mentira pensando que somos bobos, inventam uma história só para confundir ou o que é pior, não respeitam nossos sentimentos por também acreditarem que coração não dói.
Tem muita gente chata neste mundo!

© Direitos reservados a Ala Voloshyn


Ilustração: da Web

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Em Briga de Marido e Mulher Não se Mete a Colher

Em briga de marido e mulher não se mete a colher, muito menos um palpite ou qualquer coisa que o valha. Mas ninguém gosta de ver aquela indisposição que se arrasta entre farpas, insinuações, ofensas, olhares estranhos, piadinhas que ninguém entende só os dois! Enquanto esta situação ficar entre quatro paredes é bom mesmo deixar como está, afinal quem fez a bagunça é que deve arrumá-la, no entanto, quando ultrapassa o pessoal e chega em alguém de fora, os problemas podem piorar.
Dependendo de quem for este outro ou outra, tudo pode piorar mesmo! Principalmente se espera por uma oportunidade para fazer parte da relação. E a confusão, que já não era pequena, se agrava.
O amigo que resolve ser solidário e se mantém todo solicito para tomar partido dela, é claro! A amiga, também pode dar uma ajudinha ao parceiro tão injustamente atacado pela outra, sim, porque nesta hora a esposa se transforma na outra e o deus-nos-acuda aumenta. E o que era dois vira três, um triângulo perigoso, pois aqui ninguém está indiferente e as intenções nem sempre são amistosas.
A amiga se mostra tão carinhosa, bela, inteligente a apoiar o coitado do marido que se sentindo amparado passa a enxergá-la como aliada e se for um amigo, do mesmo jeito toma partido da “infeliz esposa tão mal amada” e por isso ela não se sente mais tão só! Pois então, o que era uma discussão que precisava ser esclarecida se transforma num motim. Alguém vai dar o golpe e sair vitorioso, se for esperto e não for descoberto em tempo pelo marido ou pela mulher, além do que, um deles pode aproveitar a ajudinha extra para ferir o parceiro ou o que é mais grave, compensar suas carências no apoio de plantão. E tudo se transforma em palco para mágoas, rancores, ciúmes, traições e tudo mais que se têm direito quando se quer instalar o inferno dentro de casa.
Sei bem que em briga de marido e mulher não se mete nem a colher, mas serei desobediente e darei um palpite! Quando você estiver em pé de guerra com seu parceiro ou parceira, fique quieto e aguente a encrenca que arrumou e tente sair dela com galhardia. Não caia na tentação de buscar fora suas compensações porque com isso pode destruir uma relação que poderia ser bem resolvida. Se entregar ao outro uma chave de sua casa dará a ele uma oportunidade de usar a situação para compensar também as suas carências e quando a poeira baixar, a raiva passar e todos acordarem, poderá ser muito tarde para reconciliação, pois o estrago será grande o suficiente para não ter volta e com certeza, o arrependimento virá. A oportunidade de resolver a relação terá sido perdida. Outro problema se instala e assim, de problema em problema vive-se num emaranhado que um dia terá que ser resolvido.
E o outro?
Ninguém sabe ninguém viu!

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: da Web


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Comedores de Almas

                                          
Olhar penetrante
Invasivo
Face pálida
Comedores de Almas
Suas Almas perderam ou venderam

Ditam ordens

Impõem
Medo
Silêncio
Desconforto
Dúvida
Tristeza
Divisão

Sem Alma
Destroem
Para o silêncio permanecer

O silêncio que obedece
Atrofia sua Alma
Para o deleite dos comedores de Almas.

 © Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Imagem da Web.




quinta-feira, 14 de abril de 2011

Maria da Penha


Lei 11340/06 ou Lei Maria da Penha trata da violência contra a mulher e a define como sendo “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.”
Esta Lei é um avanço sem dúvida, mas muito ainda temos a realizar neste campo e isto inclui fundamentalmente mudança nas nossas atitudes.
É necessária uma vigilância constante em relação ao que acontece conosco, o meio ambiente e seu resultado. Temos muito a modificar dentro de nós, precisamos encontrar um espaço diferente numa sociedade que ainda tem no gênero masculino seu condutor, mesmo que tenhamos conquistado direitos e aumentado com isto nossos deveres.
Sinto muita tristeza quando leio notícias que mostram mulheres agredidas, violentadas ou mortas. Por quanto tempo ainda viveremos esta violência nos seus diversos graus, numa escala que vai desde a mais simples e velada agressão até àquela que se transforma em manchete de jornal? Ser mulher é tão bom, tão rico, tão importante para a natureza! Por quanto tempo ainda nos deixaremos agredir?
Quando o agressor é um grosso, machista, prepotente, fica claro identificá-lo, mas e quando ele é educado, tem nível superior e parece manso de sentimentos e atitudes, como identificá-lo? A agressão velada é tão perigosa quanto a declarada.
Então vamos lá, meninas, vou tentar descrevê-la!
Ele é seu companheiro, diz que a ama, manda-lhe flores por puro mimo e carinho. É perfumado, paga a maioria das contas, mesmo porque dinheiro ele tem e quer deixar claro que você está “segura” financeiramente com ele. Incentiva sua carreira, mas nem sempre está disposto a lhe ajudar quando o tempo aperta e você fica sobrecarregada. Diz que é linda, mas emagreceu demais! Quando ele está em apuros logo a solicita para ajudá-lo, mesmo que você não tenha tempo disponível para isto, mas ele insiste, pois você é uma super mulher que dá conta de tudo, e mesmo cansada estende a mão, não sabendo depois como conciliar tudo o que tem para fazer, mas afinal seu amor merece e precisa de você, não é?! Todas as vezes que conquista algo importante para si ele fica doente, tem crise de ciúme, briga por qualquer besteira e lhe deixa na mão e aqueles mimos desaparecem até a sua primeira lágrima. Depois vem um pedido de desculpas e uma discreta queixa de que você está um pouco distante e ele sente sua falta, está nervoso, sobrecarregado, enxuga sua lágrima e você acredita.
Seu companheiro geralmente lhe compra o que está precisando para lhe mostrar que a quer bem, mesmo que você possa comprar, mas depois de uma briga, você se pega hesitante, acreditando que sozinha não conseguirá se prover. Este já é um sinal de que algo não está bem e que você já está se sentindo insegura e descrente de si. Mais um tempo neste morde e assopra e suas forças diminuirão aos poucos até se sentir feia, fraca e sem vontade de ser aquela mulher interessante e viva que já foi.
Assim, veladamente seu companheiro a violenta todos os dias sem que perceba. Por isso, minha amiga, se sua autoestima estiver diminuindo, sua energia vital se acabando, começa a acreditar que outras mulheres são ameaçadoras e que sem seu amor não será feliz, mesmo que nada aparentemente esteja acontecendo de ruim, acenda todas as suas luzes de alerta, corra, fuja, acorde e mude, pois você está numa enrascada e se tornou mais uma mulher que sofre de violência velada.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Ametista Mastrotti

terça-feira, 1 de março de 2011

Face Oculta


Como conhecer verdadeiramente alguém?
Por mais que se conheça
Ainda não é o bastante
Imagens criam-se a cada palavra
A cada sorriso
A cada promessa
A constância esconde a verdadeira face
Se o olhar não mudar nada mudará
Talvez exista uma solução
Dizer não
Desta forma a face oculta se mostra e denuncia
Quem estava escondido
Quem estava omitindo sua verdadeira intenção

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Máscara do Carnaval de Veneza

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mundo Cruzado

Mundo velho, cansado, corrompido, onde as relações se mantêm verticais, em que alguém manda para o outro obedecer.
Alguns esperam pela Nova Era. Confiam que trará igualdade e irmandade. Quero acreditar que sim! Mas o que mudará se o velho não morrer?
A cada ditador que cai, milhares de pessoas levantam os olhos porque descruzaram seus braços. Longa e tenebrosa estrada, pois o poder age com a espada do terror.
Estamos na Era do Terror. Se não for assim, a tirania não tem seu poder assegurado. Tudo é ameaçador, muito mais que numa guerra declarada, onde se conhece a farda do inimigo, mas aqui, qualquer um pode ser o inimigo. É assim que aprendemos e é assim que vivemos. Isto acontece em todos os campos da vida humana, desde um núcleo pequeno como a família, até o mais complexo e comprometido como o governo de uma nação.
Cada um se defende como pode diante da ameaça. Alguns preferem se esconder com a máscara da omissão, outros cobiçam o poder e por fim, sobram aqueles que preferem exorcizar o medo incutido em suas mentes. Quero pertencer a este último grupo, pois de diferente forma não conseguiria viver.
Este grupo é o que tem o caminho mais árduo e longo. Mas é o único que liberta. Exige mudança profunda. Exige constante vigilância dos sentidos. Exige grande empenho para mudar uma atitude. É de dentro para fora. É de grande coragem, pois exige uma postura clara e honesta consigo mesmo.
Não há ser humano mais livre e forte que aquele que conhece seus limites e os tenta superar!
Não há ser humano mais livre e forte que aquele que aceita se submeter à ordem que vem de sua consciência superior!
Não há ser humano mais livre e forte que aquele que combate de início o ditador que existe dentro de si, para poder depois levantar os olhos para um ditador externo!
A Nova Era surgirá fruto do trabalho daqueles que não se submetem, mas que buscam a lucidez que os guiará para o futuro.
Aos omissos e tiranos restará apenas um mundo cruzado. Um mundo de braços cruzados e olhos abaixados. Um mundo cinza e enraizado no terror.

 © Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Versão em cinza da obra de Picasso.


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Para Meus Filhos


Sei que um dia não estarei mais aqui e como não sei quando será este dia, quero deixar alguns lembretes para vocês, meus filhos. Podem guardá-los numa agenda, afixar na porta da geladeira ou em seus corações. Como quiserem!

1- Sempre olhem para os dois lados da rua quando forem atravessá-la. Nunca se sabe quando um desavisado está ao volante;

2- Levem consigo um agasalho e um guarda-chuva, pois o tempo pode mudar;

3- Tenham sempre algum dinheiro extra na carteira, para eventuais emergências;

4- Não andem na rua sozinhos depois da meia noite, pode ser perigoso;

5- Não reajam a um assalto. O ladrão tem tanto medo de morrer quanto vocês;

6- Paguem sempre suas contas, pois dívidas pesam no bolso e na alma;

7- Não temam o mal, pois o bem sempre é mais forte, não por uma questão filosófica, mas porque sua vibração é muito mais rápida;

8- Acreditem em seus sonhos. Se assim o fizerem, conseguirão realizá-los;

9- Tenham sempre em casa um vaso com flores, alegra a alma e harmoniza o ambiente;

10- Sejam amigos entre si. Eu os tornei irmãos, mas vocês devem se transformar em amigos, para sempre;

11- Riam muito, contem piadas ridículas, são as melhores;

12- Encontrem-se muitas vezes e falem sobre o que sentem, pensam e desejam para suas vidas e nunca se esqueçam de ouvir;

13- Pensem em si, mas lembrem-se que nada se constrói sozinho. Saibam conviver em grupo;

14- Não deixem que os maltratem e não maltratem ninguém, não é bom;

15- Comam pouco, mastiguem devagar e muitas vezes. Se estiverem com pressa, prefiram uma refeição leve, talvez uma boa vitamina mista batida com iogurte;

16- Quando resolverem se casar escolham bons parceiros. Antes de decidirem, vivam com eles grandes dificuldades, quem for companheiro nesta hora, deverá ser o eleito. Cuidado com as paixões;

17- Não me julguem, pois só poderão fazê-lo quando passarem por tudo que passei, enfrentarem os desafios que enfrentei, tiverem que fazer escolhas que fiz e souberem o que é ter um filho;

18- Cuidado com a inveja, ela engana, pois revela que não estamos bem conosco e não com o outro;

19- Quando estiverem juntos, prefiram conversar na cozinha, comendo uma fatia de bolo de milho com manteiga, tomando uma caneca de café com leite, assim é muito mais aconchegante. Afeto não deve faltar entre vocês;

20- Quando brigarem digam sempre o que pensam, não escondam nada. A chance de resolverem na hora suas pendências é maior;

21- Vivam tudo intensamente e com profundidade. Sintam a felicidade na sua totalidade e quando estiverem tristes chorem até a última lágrima, pois tudo passa, o que fica é o que conseguimos guardar em nosso coração;

22- Eu amo vocês.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn



Ilustração: Foto de Cristina Dias. ( https://www.facebook.com/crishelenadias )







quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Fidelidade

Fidelidade.
Palavra bonita, mas o quanto é entendida?
Eu sei que cada um tem seu repertório para entendê-la, e talvez por isso existam infindáveis definições. Posso falar do que significa para mim e sei que seu significado mudou inúmeras vezes no decorrer de minha vida, mas hoje quando penso nela só vem à minha mente a imagem do filme ”Sempre ao seu Lado”, o cão esperando por seu dono que morreu. Aquele cão não o via mais, mas o que o mantinha ali todos os dias de sua vida era sua fidelidade. Não uma fidelidade obediente de quem recebeu uma ordem, mas de quem havia firmado um acordo de estar sempre ao seu lado.
Quando nós seres humanos nos referimos ao acordo pensamos em papel assinado, verbalizado, claro para nossa mente concreta, no entanto, existe um outro tipo de acordo, aquele que ninguém diz nada, mas que nasce espontaneamente em nossos corações e que define o tipo de relação que firmamos com alguém. Naturalmente a essência da relação se estabelece e sem que ninguém diga ou cobre ela permanece. Mesmo que o tempo mude as circunstâncias o acordo vive e guia.
Hoje, fidelidade para mim é este acordo invisível que não muda, mesmo que tudo mude. É a fidelidade do coração puro que não busca nada, não barganha, não se impõe, mas permanece vivificando o acordo original.
Às vezes me entristeço por perceber o quanto “tudo depende”. Depende do dia, da vontade, da segurança, dos interesses, tudo depende. Dependendo do que for a fidelidade muda e o acordo é sacrificado e cada um que se resolva como puder. É uma pena que na maioria das vezes não se consiga enxergar além do egoísmo e da covardia, palavras irmãs, no meu entender. E é por isso que quando se estabelece um acordo firmado na fidelidade é tão ímpar, tão importante, tão bom.
Quem conseguir estabelecer este acordo silencioso e o manter tem motivos para acreditar que segura em suas mãos uma jóia rara, única, eterna, que brilha como um diamante lapidado que o tempo não modifica e não leva, pois acordo puro entre corações puros e corajosos não morre jamais.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Poster do filme "Sempre ao seu Lado".

ARQUIVO DO BLOG

NOTA

As fotos utilizadas neste blog são da web ou de amigos, como Bell Felipe, Jac Rizzo (http://jacrizzo.blogspot.com), Adriane (http://tramasecacos.blogspot.com). As telas de pintura são de minha autoria.