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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Olhos de Unicórnio

Acordei de sobressalto e sentei em minha cama.
Um lindo unicórnio me olhava.
Seus olhos de cristal me encantavam e pensei:
morri!
Não queria assim, dormindo.
Olhei para os lados e não havia ninguém,
eu estava só com ele.
Tudo parecia bom e calmo quando me fez uma reverência.
Correspondi, acreditei que saberia por que ele estava lá,
mas continuava a me olhar em silêncio.
Logo senti um delicioso perfume de rosas e meu coração bateu mais forte e feliz, então falei:
se meu coração ainda bate, não morri!
Quanto mais olhava para aqueles olhos de cristal, mais me via neles e de súbito intuí,
aquele unicórnio era eu mesma a me olhar sem perceber que tão diferente de mim eu posso ser,
tão cristalina que não podia me reconhecer.
O perfume aumentava cada vez mais e quando aceitei que eu mesma era aquele olhar cristalino, fiquei em paz e voltei a dormir, com a esperança de poder acordar e enxergar como o unicórnio,
que encontrei dentro de mim.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Google

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Cultura da Não-Violência

                                    
Queremos paz. A violência aumenta e queremos paz. A violência integra-se cada vez mais nas atitudes cotidianas e falamos em não-violência. Mas como conseguiremos mudar tudo o que nos entristece e oprime?
A não-violência só será uma prática verdadeira quando transformarmos a violência que reside dentro de nós, que exala dos nossos poros, que impera nos atos, que vibra no olhar. E qual é sua origem? Qual sua razão?
Observando melhor só consigo enxergar que por traz de todo ato violento existe muita impotência. Parece contraditório, mas não é. O violento é incapaz de realizar seu objetivo por si mesmo. É incapaz de se organizar, se frustrar, se relacionar, trocar, refletir. É essencialmente um preguiçoso que não se esforça em melhorar, mas usa com imposição e aflição a energia do outro para se satisfazer. É em última análise um vampiro a sugar o elemento vital do outro para seu contentamento, faz dele seu escravo, seu braço direito, o conduz para onde quer através do medo, opressão e humilhação. Desrespeita completamente a individualidade, viola o direito de se viver a própria vida, não enxerga limites e invade sem piedade, pois não sabe como construir, é um incompetente. Bebê chorão acostumado a ter tudo na mão! Aprendeu que depende do outro para viver. Não acredita em si e por isso é medroso e precisa manter o controle externo transformando seu semelhante numa marionete.
Se, como sociedade, continuarmos buscando poderes no externo não alcançaremos a realização dos próprios talentos e recursos e a desejada cultura da não-violência ficará distante. Somos dependentes uns dos outros na forma mais primitiva, projetamos no outro nossa felicidade e por isso não compreendemos quem somos. Infelizes e frágeis é o que somos e por isso continuamos tiranizando, entristecendo, atrofiando quem invejamos e que no fundo admiramos. Se cada um procurar vencer suas dificuldades e realizar o que deseja pelas suas forças não precisará violentar ninguém.
A não-violência fundamenta-se na autonomia, respeito pela individualidade, compaixão, autoconhecimento, paciência, companheirismo e na consciência de que tudo evolui e precisa de tempo e espaço para se desenvolver. Sua raiz não é externa, é interna.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Ilustração: Google

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NOTA

As fotos utilizadas neste blog são da web ou de amigos, como Bell Felipe, Jac Rizzo (http://jacrizzo.blogspot.com), Adriane (http://tramasecacos.blogspot.com). As telas de pintura são de minha autoria.