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sexta-feira, 20 de maio de 2016

O Câncer Nos Braços da Mãe

foto da Internet
 
Não há nada mais impactante que receber a notícia de um câncer, especialmente quando se trata do seu filho. Não quero me aprofundar na questão do que isto significa para o paciente e o quão forte é para ele a vivência da luta pela vida, especialmente se não estiver na infância, pois parece que as crianças tratam com mais leveza este desafio. Quero aqui mergulhar na posição da mãe.
Quando nos defrontamos com mais esta lição da vida, todos naturalmente se voltam para aquele que vive a doença em si, mas muitas vezes a mãe, que está junto, não é cuidada como precisaria ser.
Nós mães nos colocamos em posição de luta sem limite, fazemos tudo o que está ao nosso alcance, damos nosso tempo e energia para que o filho consiga vencer todos os desafios que encontra neste caminho, tão estreito e difícil. A angústia, o medo, a insegurança e a necessidade de confiar no médico e sua equipe são inevitáveis e intransferíveis. Igualmente importantes são a esperança, fé, coragem e tenacidade. E tudo isso é vivido pela mãe também, que muitas vezes não presta atenção em si, só quer lutar e vencer com seu filho.
Nem sempre recebemos o apoio e cuidado que merecemos. Nem sempre há sensibilidade e habilidade à disposição para o amparo. Nem sempre desconfiamos que podemos adoecer pelo desgaste físico, mental e emocional que vivemos, por tempo às vezes longo demais para nossa vontade.
Só queremos ver nosso filho à salvo. Só queremos que ele consiga absorver uma das maiores lições de vida que uma doença pode nos trazer.
Vida! Sim, vida, pois o câncer nos mostra claramente a importância  de cuidarmos do nosso corpo, das nossas emoções, ações, pensamentos, ambiente, relações. Nos mostra a amplitude de nossa força e o quanto a vida é o maior bem que temos.
Deixar a vida passar sem nada acrescentar de importante é não lhe dar a devida atenção. Deixar a vida passar vivendo-a no automático da rotina é não saber o quanto temos a aprender.
Viver junto ao filho todas as emoções e desafios que uma doença deste porte pode nos dar, é lutar como mulher, que recebe da natureza a incumbência de conduzir e manter a vida protegida. Quando nos tornamos mães sabemos bem lá no fundo do nosso coração o que isto significa e é este coração que sofre a agressão pungente e nos faz reagir instintivamente defendendo uma função que, pela vida, temos que realizar.
Por tudo, peço por atenção e cuidado às mães guerreiras para que a luta não seja solitária. Somos feitas de carne, osso, nervo, emoções e nossos limites, como seres humanos, são reais, mesmo que não nos importemos com isso. Pela urgência dos fatos podemos não nos dar a necessária atenção, mas precisamos de apoio, pois o combate é forte.
Sei que sairemos melhores disso, mas a solidariedade e sensibilidade fazem toda diferença nesta trilha que chamamos vida.
 
 
 
 
 
 
 

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NOTA

As fotos utilizadas neste blog são da web ou de amigos, como Bell Felipe, Jac Rizzo (http://jacrizzo.blogspot.com), Adriane (http://tramasecacos.blogspot.com). As telas de pintura são de minha autoria.