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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Que nos Nivela

Como vivemos?
Nossas cidades quase que completamente pavimentadas. Árvores escassas. Ar impuro e abafado. Carros aos montes a disputar um espaço que diminui. Nossa inteligência colocada à prova através de todos os problemas que enfrentamos, pois quem constrói desta maneira só pode ter sua inteligência questionada.
Vivemos como se estivéssemos à parte de tudo o mais que vive e respira. Passamos por cima deles com nosso egoísmo cego e tolo. Não enxergamos nada além de nossas conveniências e interesses à curto prazo. Tudo é pra ontem. A pressa nos consome, consumindo nossos corações que batem cada vez mais acelerados. Em busca de quê?
Que civilização é esta?
Cuidamos cada vez menos dos nossos filhos. Os conhecemos pouco, apenas esperamos que concluam o que não fizemos. Que herança temos a lhes deixar?
Predadores é que somos!
O mundo que enxergamos nada mais é que a extensão do que acreditamos e somos, desconectados de nosso coração/mente. Cada um cuidando de sua pequena vida, sem enxergar a vida próxima e com isso esbarramos uns nos outros sem nos olharmos.
Qual pode ser o resultado disto?
Quem tem mais pode mais. Quem paga mais fala mais alto. “Se estou pagando tenho direito!” Esta é a ética do momento.
Quem pode mais tem privilégios e se acha seguro de toda a miséria que construímos ao longo de todos estes anos.
E quem não pode como fica?
Quantas pessoas de valor incomensurável estão vivendo de cabeça baixa, pois não estão incluídas no grupo dos que podem mais!
E assim a injustiça mantém sua espada sobre a cabeça de todos.
Mas vêm chuvas intensas, terremotos, ventos absurdos! Medo, confusão, incertezas, perdas. Tudo que construímos aos poucos desmorona.
A segurança que tanto buscamos se desfaz a cada problema que temos que resolver.
Quem pode afirmar que está a salvo e distante do que vemos diante de nós?
Ninguém! Todas as garantias de proteção que implantamos não valem muita coisa quando a terra treme debaixo dos nossos pés, quando a água invade nossas casas, quando o vento derruba as árvores que não cuidamos, quando a terra desconhecida desliza levando consigo quem amamos ou bens que nos apegamos. Não sabemos o que fazer, a não ser pedir ajuda. E aqui já não faz mais diferença quem pode ou quem não pode. Todos estão no mesmo nível!
A natureza com sua idiossincrasia nos mostra que o equilíbrio entre tudo e todos é fundamental. Construir respeitando o espaço em que se está. Respeitar todos os seres viventes. Se relacionar com respeito pela vida de todos.
A natureza nos coloca em xeque, não como uma entidade superior e à parte, mas nos inserindo em seu contexto e nos iluminando a mente para que possamos perceber a verdade de que tudo está interligado, que dependemos uns dos outros e que toda escolha tem sua consequência. Ninguém está seguro se estiver fechado em seu núcleo egoísta e exclusivo.
Não acredito em castigo, mas em oportunidade para mudarmos a rota que estabelecemos.
Diante de tudo, a única coisa que nos consola é percebermos o melhor, a solidariedade.
Aposto na nossa capacidade de admitir que quanto mais isolados e ensimesmados, maior será nossa fragilidade e condenação.

Ala.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Melhorou ou Piorou?

Às vezes fico refletindo em como é lenta nossa evolução e o quanto repetimos erros e sofrimentos sem pensarmos que talvez estejamos fazendo algo errado e assim podemos passar a vida inteira sem desconfiar que possa não ser golpe do destino, mas escolha.
É muito comum basearmos nossas ações em premissas erradas, sempre motivadas pela ignorância, é como olhar para alguma coisa na penumbra, o objeto é compreendido de forma distorcida ou incompleta e tudo o que fizermos daí em diante será fundamentado nestas distorções. Se a relação com o objeto não for alterada ele sempre parecerá nítido, enquanto na verdade, estará distorcido. Além do que, se ao olhá-lo as emoções estiverem em jogo, então a marca será imprimida em nossa mente e repetir a imagem ilusória e a emoção original será inevitável.
Toda vez que justificamos uma dificuldade pessoal através do que nos aconteceu no passado, claro, nos colocando como vítimas da situação por acreditarmos em lesões sofridas, devemos nos fazer uma pergunta: hoje estou melhor ou pior do que estava antes? Se a resposta for “melhor”, então não houve lesão e com certeza a premissa está errada e é preciso alterar a crença e por isso olhar para si de forma diferente. Se a resposta for “pior”, então se tem um bom trabalho de cura para realizar e é melhor não esperar muito tempo para fazê-lo.
Vivemos de contrastes neste mundo onde conforto demais é tão nocivo quanto dificuldades sem fim. Precisamos de um equilíbrio entre alegrias e tristezas, isto é, precisamos um pouquinho de cada para não desanimar em nossa jornada ou então acreditar que estamos completos e por isso não precisamos melhorar. Tudo é contraponto e necessitamos de estímulo constante para desejar evoluir.
O que vale é o resultado! Se algum sofrimento existiu nem sempre causou danos irreparáveis, tudo depende do que foi feito, das escolhas, da força do ego. Cada pessoa pode dar um rumo diferente ao mesmo assunto, por isso devemos verificar o resultado. Se ele for positivo, benéfico, então não houve dano, mas evolução e é isto que vale no final das contas.
A dor pode ser esquecida e a ferida curada quando reformulamos nossas crenças e para isto é preciso mudar nossas bases ignorantes. Podemos dizer que existe ignorância quando desconhecemos algo, quando sabemos com algumas distorções ou quando distorcemos a verdade por completo. E ignorância sempre gerará desejos e apegos pelo que gostamos e aversões pelo que não conhecemos, não gostamos ou não acreditamos. Tudo isso colocado em ação só pode resultar em sofrimento.
Melhorou ou piorou? Esta é a pergunta que eu lhe faço!
O que você fez com o que viveu? Transformou em dor ou sabedoria?
Ala.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2010

A data da chegada está determinada
A data da partida também
Mas o que cada um faz com sua vida não

Que em 2010 percamos menos tempo com o que passa
E vivamos o que nos torna melhores

Escolhas estão o tempo todo em nosso destino
Destino que tecemos no decorrer do tempo

Tempo que não controlamos
Mas que amadurece o que de bom fazemos
E nos tira as escolhas que adiamos

Ala

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Vampiro

Você explora o que de melhor tenho
Minha generosidade e compaixão
Deposita sobre meus ombros seus pesos
Acredita que suportarei e o acolherei

Sempre faço
Sempre me arrependo

Suas emoções deixa transbordar
Assim como as mantém
Não suporta e prefere invadir meu limite
Não se importa comigo

Quer apenas tomar o que não é teu
Para se aliviar
Para dominar
Para fazer realizar o que quer

Vampiro

Utiliza minha energia
Devora meu querer
Obriga a ceder por lhe amar
E não querer lhe ver chorar

Traidor

Ama de um jeito incompleto
Amo de um jeito incompleto

Não acredito em sua força
E por isso perco a minha

Tenho que mudar
Começar a acreditar em teu poder
E resgatar o meu

Ala

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Contando uma História

O que você faz quando está triste? Vou lhe contar o que eu faço.
Quando meu coração aperta e as lágrimas não param de rolar eu fico quieta, deixo todas as lágrimas descerem e o coração apertar até seu limite máximo, porque sei que assim que não aguentar mais terei ido o mais fundo que posso e é neste limite que encontro impulso para sair. E sempre saio mais forte e mais lúcida, sempre alguma resposta eu encontro. Fica mais claro qual a razão do meu sofrimento.
Aprendi a não temer minha tristeza, pois acredito que tem sempre uma boa dica a me dar a respeito do caminho que devo seguir ou das escolhas que devo mudar. É uma bússola, não há perigo nela. O perigo só existe quando o sentimento depressivo toma conta de tudo e a vida perde seu sentido, aí é hora de ficar em alerta.
Este mundo não é fácil para nós mulheres. Temos muitos deveres, muitos medos, nosso corpo muda várias vezes durante a vida, não conquistamos todos os direitos que precisamos e nossa identidade feminina ainda está incompleta. Mas estamos aqui vivendo e se não somos respeitadas ou compreendidas como gostaríamos precisamos continuar e não fazer conosco o que nos fazem. Ser mulher é viver muitas emoções e desfrutar de muitos papéis e isto é rico demais e não podemos perder esta oportunidade.
Se a opressão lhe aflige, se seu corpo não está como gostaria, se seu companheiro não a enxerga devidamente não se perca em sua tristeza, mas mergulhe nela e se pergunte por quê. Peça ajuda quando precisar e faça por você o que precisa. Tome sua vida em suas mãos e seja quem você quer ser. Se for assim o respeito e admiração virão, pois o brilho de quem se assume é visível e poderoso. E acima de tudo conquistará sua paz de espírito.
Olhe-se no espelho, observe seus olhos e perceba como estão. Eles lhe mostrarão o que precisa e como deve prosseguir. Cuide-se, trabalhe a seu favor, como um ser humano íntegro e único. Faça parte deste mundo como ele é e encontre seu espaço de mulher e viva, mas viva para crescer, não para agradar alguém. Viva para ser feliz. Viva e faça de sua vida algo que vale a pena ser vivido.

Ala.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Holografia

Quando algo incomoda quero mudar o que vejo, pois acredito que é o que me atrapalha. Tento inúmeras vezes e não consigo ou até consigo remover do externo meu infortúnio, mas aqui dentro de mim algo não muda, o resultado continua o mesmo. Por quê? Pergunto-me inúmeras vezes e a resposta mantém-se incógnita.
Minha mente não consegue mudar o foco e persiste a procurar uma razão fora de mim e nada. Tudo permanece do mesmo jeito! Até que começo a desconfiar do meu olhar e então reflito e passo a acreditar que estou observando do lado errado. Se a ideia de que o que está fora é igual ao que está dentro estiver correta preciso investir em outro caminho.
Ao identificar bloqueios externos busco dentro de mim elementos da mesma natureza e então a clareza se instala. Claro! Por que não pensei nisto antes? Talvez porque procurasse culpados, agentes poderosos mantendo minha vida em suas mãos! Mas não é verdade, ninguém tem tamanho poder!
Se então, sou eu que produzo o resultado que não gosto só eu posso mudá-lo de fato! Nossa que medo! Que alívio também! Eu posso!
Quando este olhar lúcido acontece, fica claro que meu mundo é uma projeção holográfica de mim mesma. É assim, ao olhar o de fora, consigo olhar o de dentro! E o contrário também é verdadeiro.
Mas como mudar, se tenho medo de tocar o que me aprisiona? Não sei o que vou encontrar! Preciso analisá-lo com mais profundidade, conhecer suas faces e razões. O trabalho parece árduo, mas inevitável! E então mergulho dentro de meu universo oculto e busco a chave de minha prisão. Não sei quanto tempo precisarei, mas tenho que fazê-lo, se quiser de fato transformar minha condição externa.
E é nesta viagem que me conheço melhor, tiro minhas máscaras e posso me olhar no espelho que só eu tenho acesso e então vejo quem realmente me impede de evoluir e assim numa conversa franca e corajosa traço um caminho pra mim e o projeto numa imagem holográfica para que possa vivê-lo. É assim que faço um impulso mais forte e consciente para o que quero. É assim que mudo meu estado. É assim que deixo de acreditar que fora de mim reside meu problema e as razões do meu sofrer. É assim que me encontro comigo mesma e coloco minha vida em minhas próprias mãos, sem desculpas, sem medo.
Ala.

Graças a Deus

Mudar a cor do cabelo
Mudar de casa
Mudar a relação
Mudar os amigos
Mudar uma crença
Mudar de religião
Mudar uma atitude
Mudar o interno
Mudança é a palavra
Eterna palavra
Pois nada é seguro
Nada é pra sempre
Tudo muda
Graças a Deus!

Ala