DIREITOS AUTORAIS
Todos os textos aqui publicados são autoria de Ala Voloshyn.
Direitos autorais são protegidos pela Lei 9.610, de 19 de Fevereiro de 1968.

Confiar
Fiar
Tecer
Significados que se entrelaçam
Assim como um tecido
Tecemos o encontro
Para tecer é preciso antes fiar
E isto cabe a cada um
Lã
Seda
Algodão
Não importa
Atenção e dedicação
É o que importa
Respeitando a fibra
Com delicadeza
E precisão
No encontro
Entrelaçando os fios
Se faz o tecido
Nem meu
Nem seu
Nosso
Sua trama revela
A qualidade do tecido está nos fios
A qualidade dos fios está no fiar
A qualidade do fiar
Mostra a condição do confiar
© Direitos reservados a Ala Voloshyn
Agora estou bem
Mas não estava
Não sinto mais dor
Mas senti
Onde estavam aqueles que podiam me ajudar?
Onde estavam aqueles que podiam mudar minha história?
Onde estavam aqueles que diziam me amar?
Agora estou bem
Mas não estava
Quem podia me ajudar disse que fez sua parte
Mas não podia fazer mais
Fazer sua parte não basta
Todos precisam fazer sua parte
Apanhei
Chorei
Senti medo
Fugi
Mandaram-me de volta
Apanhei
Chorei
Senti medo
Morri
Onde estavam aqueles que deviam me ajudar?
Onde estavam aqueles que deviam acreditar em mim?
Agora não sinto mais dor
Agora não sinto mais medo
Mas e agora?
Até quando iguais a mim terão que pagar pelos erros de todos?
Fazer sua parte não basta
Todos precisam fazer sua parte
E agora?
© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Saudade
É como a onda do mar
Às vezes vem forte e derruba
Às vezes é suave e apenas toca
Saudade
Saudade de quem se ama
Saudade por não ver
Saudade
É uma alegria que está na memória
E uma vontade de ter ao lado
Quem não está
Mas chegará
A espera faz sentir saudade
De quem se ama
De quem não chega
Mas chegará
© Direitos reservados a Ala Voloshyn
Observando uma fogueira lembrei-me de minha avó, baba Anna. A chama robusta, sua cor, o estalar da lenha, seu cheiro característico. Tudo me trouxe de volta aquela mulher pequena na estatura, mas imensa em sua sabedoria e coração.
Lembrei-me do seu fogão à lenha e de suas panelas de ferro a cozinhar o alimento, que preparava com atenção e presteza. Minha querida baba Anna, quanta saudade! Saudade das histórias que contava para meu irmão e eu antes de dormirmos. Era expressiva e entusiasmada, sua voz era sempre suave e firme ao mesmo tempo.
Ela era ímpar. Sabia preparar boas conservas. Plantava, bordava, manejava o tear com precisão. Conhecia a natureza do dinheiro. Cantava, orava, abençoava. Soube defender a vida de seus filhos dos horrores da guerra até migrar da Ucrânia para o Brasil. Era carinhosa e ao mesmo tempo austera quando cobrava perfeição.
Incansável, dormia pouco e trabalhava muito. Sempre ao lado de meu avô, parecia que as dificuldades não a incomodavam, pois não reclamava, apenas trabalhava. Quanta saudade eu sinto da minha baba Anna!
Queria tê-la ao meu lado, ouvi-la novamente, sentir seu afeto e seu abraço. Quanta falta isso faz! Quanta falta uma verdadeira mulher faz num lar! É ela que mantém este lar aquecido e aconchegante. É ela que mantém a união. É ela que cuida da vida! É ela uma sacerdotisa a preservar o fogo que transforma e mantém a vida por todo o tempo!
Foi o fogo que a me fez lembrar e aos poucos fui percebendo o quanto ela havia me influenciado com suas atitudes. Foi com ela que aprendi a gostar das flores e da terra. Foi com ela que aprendi a bordar observando-a com seus tapetes de sacos de batata. Foi com ela que aprendi a cantar, orar, lutar, abraçar. Foi com ela que aprendi como é ser uma verdadeira sacerdotisa, uma verdadeira mulher.
Minha querida baba Anna, como eu ficaria feliz ao senti-la novamente perto! Guardo sua foto, a cruz que deu para meu batismo. Guardo seu sorriso e seu brilho no olhar. Guardo-a em meu coração. Guardo-a em minha memória para que me guie nesta difícil tarefa de ser mulher. Sinto-me feliz por tê-la como um exemplo de força feminina.
O tempo passa e a consciência de sua importância em minha vida aumenta, alegrando-me a alma e despertando uma profunda vontade de ser como ela, uma sacerdotisa, uma verdadeira mulher.
Sinto-me feliz, em ter seu sangue em meu sangue, seu coração em meu coração!
© Direitos reservados a Ala Voloshyn