DIREITOS AUTORAIS

Todos os textos aqui publicados são autoria de Ala Voloshyn.
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Espelho, espelho, meu

Não sei o que faço aqui. Lugar estranho, não há nada e ninguém. 
Há muitos espelhos! É um labirinto! Me vejo em todos os lados. Por onde tento sair, não consigo, existe sempre um espelho a me confundir. Louca imagem de mim mesma. Um jogo de espelhos. Não sei por onde ir.
Por onde sair?
E por que sair? Rendida, escolho ficar. Silencio, me entrego a mim.
Sinto, ouço, percebo o compasso do meu coração e aos poucos tudo se integra. Espelho por espelho, ladeados a formar um corredor, que me indica que o caminho de fora é o caminho de dentro.
Saí!


© Direitos reservados a Ala Voloshyn

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Vovó

Salve todas as vovós!
Curandeiras
Benzedeiras
Com o coração do tamanho do Todo
Ficam entre lá e cá
Transitam pelos mundos
Como se em sua casa estivessem
Sabem olhar
Sabem ouvir
Sabem sentir
Sabem fazer
Com suas mãos
Suas rezas
Suas ervas
Curam
Amam


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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Da alma

Vejo tanta bobagem com roupagem de intelectualidade.  Coisas feias, sem nenhuma estética mesmo, aplaudidas como arte ou liberdade de expressão. Há os que usam a calunia como usam suas calças, todos os dias, como meio de atingir seus objetivos sórdidos e bem pequenos, porque tudo que tem o egoísmo como motivo é pequeno, sem graça e efêmero. As ideias que sustentam a vida são muito mais interessantes e magnânimas! Uns se orgulham de sua religião ou colégio iniciático, acreditando que isto os enobrece, mas cospem no chão na primeira esquina, com cuidado para não serem vistos. A ética se arrasta pelo chão. O medíocre, o mal, o mau, se acotovelam na multidão. Gente torpe adquire notoriedade às custas de quem lhes oferece o ombro, por ingenuidade ou troca de favores.
Vixe! Todos tocam a mesma toada? Não! Mas onde estão os que não se afinizam com essa baixeza humana? Calados? Escondidos? Solitários? Indignados? Enfraquecidos? Desanimados? Endividados? Onde estão, que não surgem para fazer frente e assumir sua ética e potência? Onde estão que deixam esta corrente mortífera passar impune e se fortalecer a cada ato? Onde?
Se a omissão imperar entre aqueles que podem contribuir para a elevação humana, não mudaremos nada. A destruição invadirá cada espaço que se encontrar vazio e descuidado.
Qual o seu compromisso com o que é bom, belo, evolutivo? Quantas atitudes assume a favor do crescimento de todos? Quanto insiste em não abandonar seu posto de ser humano digno de sua espécie? Quanto  ainda irá reclamar da sujeira a solta e não fazer nada para imprimir novo rumo ou pelo menos não permitir que esta lama invada um espaço maior? Quanto ainda irá se queixar de solidão e não se unir àqueles que compactuam com o elevado também?
A omissão é tão indigna quanto a falta de ética, egoísmo e a brutalidade espiritual.
Ficar no seu quintal, cuidando das flores do seu jardim, sem olhar para o que o cerca além de suas fronteiras, pode não ser suficiente para imprimir colorido e luz ao cinza que nos oprime a alma.

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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Por causa dos inhames

Num dia chuvoso, já final de tarde, no supermercado eu escolho inhames. Dizem que faz bem ao sistema imunológico. Não gosto do sabor, mas se for pra reforçar o sistema imunológico, que importa o gosto!
De súbito ouço uma voz. É a mãe que chama sua filha pequena que se afasta dela, numa alegria que não falta a uma criança. A mãe dedicada e cuidadosa não espera e logo usa em voz alta um argumento bastante conhecido, poderia dizer, tradicional:  "filha venha pra cá, olha a bruxa, ela vai te pegar, tá lá no cantinho, vem pra cá, corre!" A pequenina fica em dúvida por um instante, mas logo vai na direção da mãe, que olha vitoriosa e segura de si. Foi fácil, nem precisou de muito esforço.
Ah, se a menina soubesse que a mãe mente! Descaradamente mente! Mente, porque não tem consciência da potência do veneno de suas palavras. Mente, porque a preguiça toma conta do seu ser. Mente, porque não pensa no que acontece lá dentro da cabecinha desta pequena, que registra a informação. Mente, porque duvida de sua própria inteligência. Mente, porque se recusa a decidir por outra forma de agir. Mente, porque está acostumada a mentir.
E a menina? Aprende bem depressa a não acreditar em si, no seu discernimento, percepção, intuição. Também aprende a mentir, além de fixar o fato de que bruxas costumam andar pelo supermercado em dias chuvosos, preferencialmente em fins de tarde e se esconder pelos cantinhos!
Menina! Não acredite! Sua mãe mente! Descaradamente, mente!

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Vontade de viver

Hoje acordei com vontade de viver!
Existem escolhas que nos fazem nascer.....pra nossa vida!
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*Ilustração: Imagem do Cirque du Soleil

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Com olhar limpo




Com "olhar limpo" significa não esperar ver o de sempre. É abertura para enxergar o que ainda não se viu.
Estamos tão habituados a olhar do mesmo jeito, que ficamos cegos pelo que temos na memória. Levamos a vida no automático e como se isto não bastasse, queremos arrastar uns tantos outros para o mesmo lugar, com alegação de que é o correto!
O que é o correto? O que sempre acontece da mesma maneira? Ou o que ficou definido como correto? E pensar que muita gente já foi pra fogueira por querer enxergar além! Coisas de seres humanos que pensam que sabem de tudo! Não é?
Com "olhar limpo" quer dizer, não nutrir expectativa, não esperar ver o que já se viu. É estar pronto para o que está lá, só precisando de atenção pra se revelar.
Se enxergarmos sempre do mesmo jeito, acreditando estarmos seguros e afastados do inesperado, nada evolui. E se como isto não bastasse, desgastamos quem está ávido por novos horizontes, pois quem pensa que sabe como deve ser, além de ter grandes chances de estar enrijecido, se vê no direito de importunar o outro com seu cabedal de dogmas.
Nutrir expectativas e buscar somente o que se determinou é engessar, limitar, separar, errar, enganar, agredir, desestimular, perder.
Estar pronto para olhar, com intenção de descobrir é aproximar, solucionar, aprender, escolher, se aprofundar, evoluir.
É um exercício constante esta coisa de se lançar na vida como uma criança que deseja ver tudo e aprender sem parar. É uma escolha e ousaria dizer que é uma libertação.

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Simples!

uns me chutam
outros acolhem
vida!
adoro


                 

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Ser



 meu maior erro
foi ter acreditado 
em quem 
não acreditou em mim 
não há motivo 
para não acreditar 
há todos os motivos 
                   para ser

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terça-feira, 20 de junho de 2017

sábado, 17 de junho de 2017

Venenos Mentais

Quantas ideias a seu respeito são realmente suas? O quanto se conhece para identificar o que é verdade e o que não é?
Entre tantos que circulam em sua vida há inúmeras mentes a se comunicar com a sua. Alguns deixam claro o que pensam, mas nem todos e até aí nada a preocupar. Entretanto, existem indivíduos bastante nocivos para a saúde mental de quem permitir. São aqueles que plantam venenos mentais.
Astutos, eficientes, pelo repetido uso de sua “técnica”, inoculam, sem que se perceba, venenos poderosos. Quem nunca ouviu frases como: 
"Você está bem, mesmo?"
"Mas escreveu só isso?"
"Ainda bem que seu carro é mais velho, não terá grandes prejuízos quando bater!"
"Me preocupo com você, se não conseguir fazer, avisa."
"Quando for mais velho saberá."
"Pense bem!"
"É muito difícil!"
"Cuidado!"
"Emagreceu, tá tudo bem?"
"A vida tá boa, engordou!"
"Posso ajudar um pouco mais, mas já estou cansado."
"Veja bem, fulano me parece estranho com você!"
"Eu sempre fui mais independente, mesmo!" 
E assim por diante, sempre dando a impressão que algo está errado.
Quem está de bem consigo mesmo, não precisa destilar venenos, disfarçado por uma aparente boa vontade, que é só aparente, pois de fato mente, e através de uma sugestão subliminar mantém suas garras bem afiadas para se sobressair ou encobrir seus defeitos causando crenças de inferioridade no outro.
Cada vez que sentir insegurança, inferioridade, incapacidade, medo, dúvida, inadequação ou qualquer coisa do gênero diante de alguma observação ou comentário, é melhor avaliar com bastante atenção sem dar vazão à emoção,  se o que lhe está sendo sugerido se trata de uma contaminação.
Seja inconsciente ou não, o efeito da sugestão é igual, mas pode ser diferente para quem analisa e não aceita o veneno em sua mente.

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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Adeuses


Adeuses de minha vida
Que não pude evitar
Apenas viver

Adeus mãe
Adeus Anna
Adeus Paniko
Adeus Alexandre
Adeus Fernando
Adeus Eliza
Adeus filho que não segurei no colo
Adeus amigo fiel
Adeus pequeno King
Adeus pequeno Max
Adeus Nilo
Adeus Clarinha 

Adeus

Adeus sonho perdido
Adeus noites infindas
Adeus vida pequena
Adeus terra distante

Adeus 

Fizeram parte de minha vida
Fizeram meu coração bater
Fizeram meu sorriso
Fizeram minhas lágrimas
Fizeram minha esperança
Fizeram meu adeus

Adeus

Sem perguntas

Adeus


* Acesse o link para ouvir o poema:
https://soundcloud.com/ala-voloshyn/adeuses 

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Saiba

não procure o lugar
saiba o que procura
e o encontrará
em qualquer lugar

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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Por um Sorriso Seu



Nem sempre o sol brilha sobre nossa cabeça. Tem dias que é só tempestade com ventos fortes, que podem assustar até os mais experientes. É um vai e vem sem fim. Se estamos de um lado, logo virá seu oposto. O pêndulo da vida, justo em seu movimento, nos traz vivências que se alternam. Se um dia rimos, em outro choramos e assim é em tudo, opostos se completam.
Quando estamos em dias favoráveis, onde tudo chega a nosso favor, estamos bem, alegres e confiantes, mas quando os obstáculos surgem a colocar à prova nossa capacidade para a vida, nem sempre a reação é digna de admiração. Podemos mostrar o lado B de nosso ser. Demonstramos irritação, agressividade, desânimo, insegurança, mesquinhez, tristeza, paranoia e algo mais do estilo. O mundo fica cinza e os dias parecem intermináveis. E por quê? Qual a razão de não gostarmos dos desafios e do inesperado que não controlamos? Por que mudamos o comportamento? Pode ser diferente?
Pode! Se encararmos as dificuldades como bênçãos a nos impulsionar para o autoconhecimento e desenvolvimento. Um quebrar da casca da noz. Obviamente, quanto mais dura a casca mais forte precisa ser a pressão para quebrá-la!
E se houver uma postura confiante e tolerante nos momentos difíceis? Sob a convicção de que nada dura para sempre e de que se mergulharmos nas circunstâncias com vontade de aprender e melhorar como ser humano, tudo é ótimo, mesmo que o gosto não nos agrade. Há remédios amargos que nos fazem bem!
E então, posso esperar por um sorriso seu? Naqueles dias nublados, posso vê-lo tirar o melhor proveito de tudo e crescer? Viver seu tempo como quem saboreia uma deliciosa fatia de bolo, bem devagar, pra sentir, pra saber o seu gosto, textura e aroma. Com atenção, grato por estar vivo com uma oportunidade, muitas vezes, para mudar uma rota gasta e obsoleta. Olhar para o belo e se encantar, se deixar levar pela beleza de uma flor, pela magnitude de uma árvore ou pelo miado delicado de um gato a ronronar ou o sorriso de um velho cansado. Ver o belo em tudo, pois existe o belo em tudo! Basta limpar o olhar pra enxergar.

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sábado, 29 de abril de 2017

Silencie

quando não souber onde está pisando
quando não souber quem está ao seu lado
entre figura e fundo
seja fundo
e perceberá a figura  

*Ouça o poema no SoundCloud
Acesse o link:

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sexta-feira, 7 de abril de 2017

"O Rato e a Caçadora de Ratos"


 Diz um conto inglês (*):

"O rato foi visitar a gata e a encontrou sentada atrás da porta da sala fiando.

RATO
O que está fazendo, minha senhora, minha senhora
O que está fazendo minha senhora?
GATA (ríspida)
Estou fiando velhos calções, meu bom rapaz.
Estou fiando velhos calções, meu bom rapaz
RATO
Que você possa usá-los por muito tempo ainda, minha senhora
Que possa usá-los por muito tempo ainda, minha senhora.
GATA (de mau humor)
Pretendo usá-los até gastá-los, meu bom rapaz
Pretendo usá-los até gastá-los, meu bom rapaz
RATO
Eu estava varrendo minha sala, minha senhora.
Estava varrendo minha sala, minha senhora.
GATA
Quando mais limpo melhor, meu bom rapaz.
Quanto mais limpo melhor, meu bom rapaz
RATO
Achei uma moeda de prata, minha senhora
Achei uma moeda de prata, minha senhora.
GATA
Quanto mais rico melhor, meu bom rapaz
Quanto mais rico melhor, meu bom rapaz
RATO
Fui ao mercado, minha senhora
Fui ao mercado, minha senhora
GATA
Quanto mais longe melhor, meu bom rapaz
Quanto mais longe melhor, meu bom rapaz.
RATO
Comprei um pudim, minha senhora
Comprei um pudim, minha senhora
GATA (rosnando)
Quanto mais comida melhor, meu bom rapaz
Quanto mais comida melhor, meu bom rapaz
RATO
Coloquei-o na janela para esfriar, minha senhora
Coloquei-o na janela para esfriar, minha senhora
GATA (muito zangada)
Tanto mais depressa poderá comê-lo, meu bom rapaz
Tanto mais depressa poderá comê-lo, meu bom rapaz
RATO (timidamente)
O gato veio e o comeu, minha senhora
O gato veio e o comeu, minha senhora.
GATA (mostrando as garras)
E eu vou comer você, meu bom rapaz
E eu vou comer você, meu bom rapaz.
(Salta sobre o rato e o mata)"

 Final previsível.....

Quem constrói o destino?  
Tantas vezes nos defrontamos com situações que mais parecem praga de mãe e damos a elas autoria a alguém. Nem desconfiamos que são resultado.
Resulta de escolha feita.
Quem comanda? O destino ou o autor?
O autor da própria jornada, que pode elevar ou da mesma forma degradar.
Autoria de quem escolhe, de fato!
Resta aprender e escolha diferente fazer.

(*)Conto extraído do livro “Contos de Fadas Ingleses”, seleção de Joseph Jakobs, Ed. Landy.

**Narro este conto no SoundCloud, clique no link para ouvir..

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sexta-feira, 31 de março de 2017

Terminará

durante a tempestade mantenha-se firme no leme
tempestades não são para sempre

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sexta-feira, 10 de março de 2017

O Tempo que Não Vivemos



A vida é complexa e é assim pela sua diversidade de oportunidades plenas para viver e aprender, com desafios, surpresas, benevolências, tristezas, alegrias. Tudo seguindo um ritmo compassado, sem nada pra tirar nem por. 
Mas nem sempre vivemos, embora o coração continue batendo e a respiração se nota. No físico estamos vivos, mas a alma mergulha num abandono sem piedade quando negamos oportunidades que não esperávamos, quando recusamos viver o que nos coloca em conflito, o que nos impele a lutar ou fazer escolhas, às vezes duras, mas necessárias. Quando afastamos quem não entendemos ou preconceituosamente rejeitamos. Quando dizemos palavras venenosas e pungentes para dilacerar um coração, por cólera ou orgulho. Quando abandonamos por medo de encarar o que nos parece perigoso e não enxergamos ali mais uma chance de evoluir e sair da mesmice neurotizante.
Desorganizamos a vida com olhar egoísta e por isso míope. Tanto pra viver, conhecer, aprender, por que então negamos o banquete generoso que nos é oferecido por puro amor? A vida é tecida com fios amorosos em toda manifestação! O amor impera nas circunstâncias, sejam agradáveis ao nosso ego ou não.
O que vale não é exatamente o que preferimos, mas o quanto conseguimos crescer na diversidade, generosamente posta, para  morrermos melhores do que quando chegamos a este mundo tão bem construído e amado. Para que possamos, cada vez mais, manifestar o belo e nobre do humano em nós. Sempre que destruímos novas vivências, por não identificarmos sua importância perdemos o momento precioso. Também é possível não permitirmos o resgate do que rejeitamos quando o quisermos, pois nem sempre haverá tempo disponível para isto.
Vivamos o que surge, é Vida!  


© Direitos reservados a Ala Voloshyn


segunda-feira, 6 de março de 2017

Foi Pouco

 O tempo foi pouco ou diminuímos o pouco que tínhamos?
Foi pouco e diminuímos o pouco que tínhamos.
Mas o pouco tornou-se muito
E o muito tornou-se para sempre.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Transformando o Feio em Belo


Nas atribulações, às vezes a cabeça fica confusa, cheia de pensamentos, uns belos e outros nem tanto! Nem sempre é possível manter a estabilidade interna. A alquimia entre mundos de dentro e de fora, de como estou e de como estão, pode resultar em turbulência emocional.
Inúmeras são as vezes que passei um bom tempo magoada, irritada, com sentimentos muito incômodos a meu respeito, com toda a gama de temperaturas de humor, por influência do externo ou seja, de pessoas, estando elas perto ou longe, o que não muda muito o resultado de dentro! A distância física não faz a menor diferença, o que vale é a vibração que sentimos dos sentimentos e pensamentos. Há vibrações que harmonizam e outras que causam repulsa.
Um dia muito cansada de sofrer com ações e reações de outros, cheguei a conclusão que tinha o dever comigo mesma de resolver esta questão. Me deixava levar por sentimentos venenosos ou transformava o veneno em remédio. Decidi que iria me esforçar no sentido da transformação do desarmônico em harmônico.
Essa escolha foi firmada numa situação doméstica bem comum. Num desentendimento, uma pessoa querida devolveu um presente meu, um quadro em que pintei uma árvore, porque adoro árvores e achei que seria um bom presente. Ao ver aquela tela arremessada ao chão com a força da raiva, peguei-a e olhando para ela tive dois pensamentos; jogava no lixo ou melhorava a pintura. Não hesitei, depois de algumas pinceladas ficou linda! Ousaria dizer que tornou-se a pintura mais bonita que já fiz! Transformei o feio em belo! Transformei a raiva em amor dentro de mim.


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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Quando o Amigo se Torna uma Estrela no Céu


É tão bom ter um amigo! Nem sempre estamos próximos, mas o reencontro é de festa, porque nos gostamos e sentimos alegria quando juntos. Nem sempre concordamos, mas toleramos as diferenças, porque queremos a amizade acima de tudo! Temos a liberdade de dizermos o que pensamos, uma amizade verdadeira não impõe limites no pensar! Vigiamos no silêncio o bem estar um do outro, nem sempre dizemos, não é necessário, sabemos que não estamos sozinhos!  É aconchegante saber que temos alguém que de verdade está conosco, mesmo que cometa falhas, traquinagens, mas é assim com todo mundo, afinal, seres humanos cometem traquinagens! Uma amizade sincera pode durar a vida inteira ou melhor, dura a vida inteira, é uma característica da amizade verdadeira.

Mas e quando um amigo vira estrela no céu?

É triste, o coração fica procurando aquele outro coração que batia até pouco tempo e agora mantém-se em silêncio. Na verdade, é um silêncio! Mas apesar da tristeza fica algo dentro da gente que sabemos da sua continuidade, porque amigo que é amigo nunca vai embora. Fica bem perto, no fundo do coração. É estranho, mesmo que não esteja perto, está perto! Mesmo que não nos toque mais, continua seu toque marcado na pele! Porque amigo de verdade, quando vira estrela continua brilhando dentro da gente. Amizade que é amizade não passa nunca. Amigos não se separam, é só um tempo sem se ver.

 © Direitos reservados a Ala Voloshyn

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Quanto Mais Likes, Melhor!


Preocupa-se com a opinião do outro a seu respeito? Interessa-lhe saber o que pensam sobre suas atitudes? Interessa-lhe ser bem visto, admirado? Elogios lhe são importantes? Seu grau de popularidade é assunto que tem em particular preocupação? Ou seja, você é um dependente de likes? Alguns são dependentes químicos, mas você não, longe disto! Afinal o que pensariam os outros? Certo?
Por que é tão importante ser uma pessoa admirável? Já parou pra pensar? A quem quer agradar ou a quem quer enganar? Pois quem demais se empenha em manter uma imagem limpa e inquestionável, algo precisa esconder! Talvez suas falhas, verdadeiras intenções, seu descompromisso, dúvidas, fraquezas, manias. Ou é aquele velho truque de fugir das reações menos agradáveis, dos questionamentos frontais, das responsabilidades negligenciadas. Não deixa de ser uma estratégia pra obter o que se almeja, pois uma boa imagem pode abrir portas! Evita-se contratempos, consegue-se mais depressa. Mais gente o admirando, mais gente colaborando, certo?
É muita camuflagem por metro quadrado, não acha? Esconde-se demais por baixo do tapete aquilo que não é tão bonito e mostra-se o que é conhecido, polido e que tem aprovação da maioria. Muita encenação e pouca transparência. 
Mas, pensando bem, de uma certa forma estou sendo muito austera com você! Se analisar com rigor, posso colocar todos neste barco, pois uns mais outros menos carregam certa necessidade de aceitação e por isso preocupam-se com a opinião do outro a seu respeito. Mesmo porque cada um tem lá suas questões internas pra resolver!
Mas não seria bom resolver estas questões internas pra depender menos do outro ou não precisar manipulá-lo? Ou melhor, não precisar fingir ser um cara legal, só pra não ter que transformar suas dificuldades?
Pode fazer de conta que é de um jeito e não de outro, pode agradar pra receber, pode treinar algumas atitudes admiradas pra ser aceito e "amado". Pode o que quiser, quem irá impedir? Ninguém, garanto que ninguém tem este poder. Somente você pode escolher ser diferente! Com força de vontade encarar-se e crescer o suficiente pra ter motivos pra confiar em si e não mais precisar se apoiar em alguém.


© Direitos reservados a Ala Voloshyn

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Eterna Luz

Mesmo em momentos onde a escuridão assombra,
há uma Luz que jamais se apaga...
Mira dentro de ti. 

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Minha Boneca

Tenho uma boneca. Não faz muito tempo. Na verdade, vi uma igualzinha com uma amiga, que mostrou-me uma linda boneca de sua paciente. Fiquei encantada! Depois de umas semanas, para minha surpresa, encontrei "minha boneca"!
Não é uma boneca qualquer. Tem dois atributos que gosto muito: é uma caixinha de música e bailarina!
Você deve estar pensando, por que uma mulher de sessenta anos se encanta com uma boneca? Mas é que você não entendeu que ela é especial! Todos nós temos algo que consideramos especial. Para mim é esta boneca, pelo significado que representa. Ela simboliza um sonho de infância!
Quando eu era menina, queria ser bailarina. Este era meu sonho, meu encanto, minha vontade mais forte. Vivia dançando pela casa, fingindo ser uma bailarina em cima do palco. Conseguia até imaginar a música e dançar seguindo seus compassos. Adorava as roupas, sapatilhas, enfeites de cabelo! Tudo, tudo me fascinava! Via-me adulta num corpo de Ballet. Assim passei algum tempo, imaginando e dançando minhas coreografias, mas ninguém me dava atenção. Ninguém mesmo! Minha mãe, sempre atarefada me tinha pelas costas, meu pai cansado do trabalho, dormia na poltrona enquanto eu dançava para ele. E assim, meu sonho ficou no mundo dos sonhos. Jamais o realizei. Outros sonhos vieram, mas o mais importante ficou guardado dentro da menina, que sonhava ser bailarina.
Anos e anos se passaram e eu sempre trazendo em meu coração a bailarina que não saiu de dentro de mim. Por isso não é difícil de compreender porque fiquei tão encantada com minha boneca, caixinha de música/bailarina, quando a encontrei! Ela representa muito para mim.
O mais interessante disso é que só agora, bem agora, depois de tantos anos é que fui me dar conta do por que não realizei este sonho. Simples! Eu nunca fiz nada por ele! Eu nunca disse aos meus pais que queria ser bailarina. Eu nunca pedi que me colocassem em uma escola de ballet. Eu nunca expressei meu sonho! Como poderia realiza-lo?
Hoje minha boneca está perto de minha mesa de trabalho, bem visível, para que eu nunca me esqueça daquela menina que fui. Que deixou seu sonho morrer. Para me lembrar em não mais repetir isto! Por isso hoje fidelizo, com muita categoria e convicção, um outro sonho que trago em meu íntimo. Faço o melhor que posso para realiza-lo. Não o deixarei morrer! A maturidade traz consigo a responsabilidade de não deixar o tempo passar, sem que se faça exatamente o que determina o coração!

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

terça-feira, 26 de julho de 2016

Depressão


  Talvez uma das experiências mais marcantes e aterradoras seja a depressão. Estado de ser que assusta pela sua força quando se manifesta. Não é tristeza, não é desânimo, não é desesperança, não é falta de sentido à vida, não é dificuldade de discernimento, não é medo da morte, não é medo da loucura, não é insônia, não é falta de apetite, não é falta de prazer, não é ansiedade. É tudo isso ou quase tudo isso, junto. É um esgotamento físico e psíquico, que dá estes sinais antes de atingir seu grau máximo, mas que muitas vezes não nos damos conta. Vamos tentando disfarçar, compensando com um prazer ou outro, mas é fato que, se não fizermos algo para mudar esta rota, um dia teremos que parar compulsoriamente pelo profundo desgaste, pela falta de forças para viver ou querer viver. 
  E por que chegamos neste fundo do poço? Os motivos são vários, mas talvez seja plausível dizer que por razões pessoais nos distanciamos do sentido da própria vida. Parece que por muito tempo não vivemos a vida que nossa alma precisa ou que vamos nos sobrecarregando, sem dar importância a nós mesmos. Vamos nos colocando de lado, enclausurando nossas vontades mais importantes, fazendo concessões, deixando tudo vir em primeiro lugar. Permitindo violências contra nós, nos deixando contaminar por pessoas e ambientes insalubres, sendo displicentes com nossa saúde em geral. Assumindo papéis megalomaníacos, que ilusoriamente nos colocam no topo da sociedade.  Não contando com os traumas emocionais que não conseguimos superar, deixando a alma doer.
  Quando a depressão se instala, não tem jeito, é preciso procurar ajuda profissional e aí pode começar um calvário se os profissionais escolhidos não forem o suficiente competentes e isto pode significar, conhecimento falho ou excesso dele, falta de sensibilidade, prepotência, despreparo emocional, enfim, se não houver competência tudo pode ser muito mais sofrido do que deveria. As pessoas que nos acompanham na vida, sendo parentes e amigos podem não ser os melhores companheiros nesta hora, por imaturidade ou falta de experiência no assunto. São poucos os que conseguem suportar a dor do outro e se solidarizar.
  Então, não querendo desanimar ninguém e já desanimando, só quero dizer que se você se vê em depressão e tem a sua frente um médico que não se interessa pela sua vida e pelas razões que o levaram a este ponto, se não olha nos seus olhos e lhe ouve, se tem um comportamento opressor, se não lhe dá nenhuma chance de procura-lo quando não se sentir bem com a medicação prescrita, procure urgentemente outro, seja ele um psiquiatra, psicólogo ou de outra especialidade que você tenha escolhido. Não se demore, procure quem lhe transmitir segurança, acolhimento e abordagem correta no seu caso. Os prepotentes que não se interessam por você e o veem como um caso típico, não conseguirão ajuda-lo.
  Mas o melhor mesmo é não chegar a este ponto e para isso é fundamental procurar viver a seu favor, dando-lhe espaço para escolher o que o faz se desenvolver, expressar seu intimo, se reciclar. Não deixe suas emoções aprisionadas dentro de si. Considere-as, para serem educadas, acolhidas, resolvidas, transformadas. Viva o que lhe faz bem, de verdade, não se coloque na obrigação de escolher um lado para ficar, escolha ser quem você é. Seja honesto consigo mesmo e terá coragem para se assumir. Não engula o que lhe faz mal. Deixe o outro ser como ele bem entender, releve, não se perca nele, siga em frente, apesar das decepções. Cuide-se, companheiro! Preserve sua saúde física, investigue os desequilíbrios. Ame-se. Não viva a vida em vão. Não espere a depressão chegar e intima-lo a viver a sua vida!
  Paz interna, companheiro! Paz!
© Direitos reservados a Ala Voloshyn

*Foto da Ilustração: Internet

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Tire as Rodas da Calçada

fonte: Internet

Moro numa rua bem movimentada. Toda hora é carro, ônibus indo e vindo. Os pedestres precisam tomar cuidado. Paciência é o que não pode faltar quando se quer entrar ou sair de carro. São claros os desafios de cada um!
Do lado oposto de casa há um prédio, com apartamentos e comércio de diferentes especialidades. Um dos comerciantes é o pivô da história que vou lhe contar.
Já fazia um bom tempo que encontrava um carro estacionado em cima da calçada de casa, muitas vezes o dia inteiro e em alguns finais de semana, inclusive. Certa vez, deixei um bilhete no para-brisa avisando que o carro poderia ser guinchado, pois calçada é para os pedestres. É previsível que não obtive sucesso com isso. Num outro momento perguntei para um vizinho se sabia a quem pertencia o veículo e logo soube que o proprietário era um comerciante dali.
Passado um tempo, ao sair de casa vi a cena de sempre e desta vez o comerciante. Não esperei e fui até ele perguntar se o carro que estava em cima da calçada era dele. Logo me respondeu com ar de pouco caso:
- Sim!
- Por que você deixa seu carro parado em cima da calçada? - perguntei.
Ele me olhou como se eu fizesse a pergunta mais idiota, de resposta mais óbvia que se poderia imaginar:
- Ué, porque é mais seguro! - respondeu de imediato.
Eu, acredite, não me espantei com a resposta, já supunha algo parecido. Só não esperava que fosse tão sincera.
- Mas e os pedestres? - continuei.
- Ora, tem muito espaço para os pedestres! - apontando para a rua.
Aí, não deu pra acreditar!
- Que espaço? - falei.
Pensei que aquilo não podia ficar daquele jeito e emendei uma observação:
- Você sabe que calçada é para pedestre? Não sabe que é proibido estacionar o carro em cima da calçada? Pode ser multado e seu carro guinchado?
Então ele me olhou com total deboche, sem acreditar que eu pudesse fazer algo naquele sentido.
Claro, que não deixaria a conversa morrer ali e não deixei:
- Se não sabe precisa aprender e sei como pode ser!
Saí andando e o deixei pensar o que bem quisesse. Sua reação poderia ser qualquer uma, não havia como prever! Mas sei que daquele dia até o momento em que escrevo já se foram sete dias e ele não deixou mais seu carro em cima da calçada! Se continuará assim, não sei, mas estou certa de que se voltar a fazer o que estava acostumado terei que partir para o plano B: ligar para 190.
Parece um caso trivial e sem importância, mas não é. Quantas vezes observamos algo de errado e não nos manifestamos, não damos um limite? Quantas vezes reclamamos para alguém, menos para aquele que deveria ouvir nossa queixa? Quantas vezes deixamos algo abusivo passar, porque não acreditamos que podemos impedi-lo?
Só quis dar um exemplo real, para reforçar que é possível sair do nosso omisso conformismo seguro e agir! Penso que é como numa partida de xadrez: dependendo da peça que movimentamos e da posição em que a colocamos podemos mudar o jogo. Isto é, tudo depende da nossa atitude. Se cada um tomasse conta do seu quadrante e agisse em prol do bem comum, não visando somente o interesse próprio, seria muito melhor viver em comunidade.
Não precisei fazer escândalo ou mostrar um poder que não tenho. Fiz apenas um questionamento e deixei claro que não ficaria indiferente, foi só isso e tudo isso!  

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Com a Cara Grudada no Umbigo


Você conhece alguém que tem a cara grudada no umbigo? Eu conheço!
Ele não é estranho não, se é que imaginou que fosse! É um sujeito comum, bem mais comum do que pode pensar. Aliás, é o que mais tem!
Ele costuma avaliar o que está ao seu redor a partir de uma visão, a sua. Tudo é como pensa, acredita e sente. Seus valores se baseiam nas próprias opiniões e por isso seu julgamento é unilateral, porque, lembre-se, ele tem a cara grudada no umbigo! De nada adiantará você argumentar, tentar mostrar que não é bem assim como ele diz. Sua opinião será a que lhe convier ou melhor, a que enxerga. Você pode se esforçar o máximo (não se esforce tanto), adiantará muito pouco, pois o sujeito dará um jeito de reverter tudo para o seu umbigo e assim você ficará com a sensação de que fala com uma parede. E fala!
Desista ou melhor, assuma que está diante de um cidadão que tem a cara grudada no umbigo. Que compreende a vida a partir de sua restrita observação. Que seu ego é do tamanho de um trem e que por isso não enxerga muito longe. Não se atrapalhe com ele, deixo-o como está. Se ocupe de outras coisas, fale com quem o escuta de verdade. Não gaste energia mais do que deve. Evite sentir-se um zero à esquerda perto dele, pois a frustração de não ser ouvido pode fazê-lo acreditar que não tem importância. Nada disso! É só um jogo. Uma forma de viver a vida, sempre se esquivando do que incomoda. Desta forma ele não cresce, mas é uma opção! Não deve ser a sua, se quiser viver mais amplo.
Estar em grupo é poder tolerar diferenças que às vezes geram danos, eu sei, mas é melhor conseguir conviver com estes sujeitos que tem a cara grudada no umbigo e não desistir de si mesmo, pelo cansaço que podem causar. Não desistir do seu próprio plano de vida  e investir com atenção na sua evolução, que também é chamada felicidade.
A natureza não dá saltos e por isso dê uma trégua  e deixe que cada um decida como quer viver. Siga em frente driblando sujeitos que tem a cara grudada no umbigo, porque a vida é muito mais que tudo isso que encontramos pelo caminho. É muito mais que essa Torre de Babel de cada dia dos nossos dias.
Boa sorte pra ti que eu vou tentando daqui!
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sexta-feira, 20 de maio de 2016

O Câncer Nos Braços da Mãe

foto da Internet

Não há nada mais impactante que receber a notícia de um câncer, especialmente quando se trata de seu filho. Não quero me aprofundar na questão do que isto significa para o paciente e o quão forte é para ele a vivência da luta pela vida, especialmente se não estiver na infância, pois parece que as crianças tratam com mais leveza este desafio. Quero aqui mergulhar na posição da mãe.
Quando nos defrontamos com mais esta lição da vida, todos naturalmente se voltam para aquele que vive a doença, mas muitas vezes a mãe que está junto, não recebe os cuidados como precisa.
Nós mães nos colocamos em posição de luta sem limites, fazemos tudo o que está ao nosso alcance, damos nosso tempo e energia para que o filho consiga vencer todos os desafios que encontra neste caminho, tão estreito e difícil. A angústia, o medo, a insegurança e a necessidade de confiar no médico e sua equipe são inevitáveis e intransferíveis. Igualmente importantes são a esperança, fé, coragem e tenacidade. E tudo isso é vivido pela mãe também, que muitas vezes não se atenta para si, só quer lutar e vencer com seu filho.
Nem sempre recebemos o apoio e cuidados que merecemos. Nem sempre há sensibilidade e habilidade à disposição para o amparo. Nem sempre desconfiamos que podemos adoecer pelo desgaste físico, mental e emocional que vivemos, por tempo às vezes longo demais para nossa vontade. Só queremos ver nosso filho à salvo. Só queremos que ele consiga absorver uma das maiores lições da vida que uma doença pode nos dar.
Vida! Sim, vida, pois o câncer nos mostra claramente a importância de cuidarmos do nosso corpo, das nossas emoções, ações, pensamentos, ambiente, relações. Nos mostra a amplitude de nossa força, fragilidade e o quanto a vida é o maior bem que temos.
Deixar a vida passar sem nada acrescentar de importante é não lhe dar a devida atenção. Deixar a vida passar vivendo-a no automatismo da rotina é não saber o quanto temos a aprender.
Viver junto ao filho todas as emoções e desafios que uma doença deste porte pode nos dar é lutar como mulher, que recebe da natureza a incumbência de conduzir e manter a vida protegida. Quando nos tornamos mães sabemos bem lá no fundo do nosso coração o que isto significa e é este coração que sofre a agressão pungente e nos faz reagir instintivamente defendendo uma função que pela vida temos que realizar.
Por tudo, peço por atenção e cuidado às mães guerreiras, para que a luta não seja solitária. Somos feitas de carne, ossos, nervos, emoções e nossos limites como seres humanos são reais, mesmo que não nos importemos com isso. Pela urgência dos fatos podemos não nos dar a necessária atenção e, inclusive por isso, precisamos de apoio, pois o combate é forte.
Sei que sairemos melhores disso, mas a solidariedade faz toda diferença nesta trilha que chamamos vida.
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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Teu Ronronar


deita no meu colo
me aquece
teu ronronar
me faz sonhar
em paz fica minha alma
ao te afagar





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terça-feira, 29 de março de 2016

Reclama!


Quem reclama repetidamente, clama repetidamente. Quem clama repetidamente busca alguém que resolva sua queixa. A matemática é simples.
Quem reclama parece que está fazendo alguma coisa, mas na verdade não está! Parece, mas só parece!
Comece a observar como você se sente quando reclama e como está sua vontade para dobrar as mangas e fazer algo por aquilo que o aflige. Aposto que a vontade de agir é nula e a esperança de que alguém se sensibilize por você e faça algo é grande. É ou não é?
Pois então, é aí que reside o núcleo da questão! Se deseja que algo realmente mude, terá que fazer por isso.
Se quer ver diferença naquilo que o incomoda precisará mudar a situação. É como numa partida de xadrez, quando mover uma peça dará um curso ao jogo e dependendo da jogada que escolher poderá mudar totalmente a situação. Se quer mudança, terá que agir para provocá-la. Não adiantará esperar por alguém para dar uma solução. Ele pode não vir e você correrá o risco de perder muito tempo nesta sua preciosa vida e tempo não é para se perder!
No começo a empreitada pode parecer grande demais, afinal os nossos problemas sempre nos parecem maiores do que são, pois estamos neles e se soubéssemos resolvê-los não seriam problemas. Não é?
Nem tudo está perdido! Se começar de onde está, com pequenos movimentos até que tome força e vá ampliando sua zona de ação, eu aposto que logo deixará de reclamar, porque agir na direção de uma solução dá uma enorme satisfação! Acredite em mim, traz um alívio bem maior que aquele que você sente quando compra um mimo pra si em desespero de causa!
Acha que muita gente é egoísta? Então comece a perguntar para quem está à sua volta como ele está. Diga um "bom dia", de coração. Ajude no jantar de hoje. Apresente uma solução para o cafezinho da tarde na empresa em que trabalha. Seja voluntário num lugar onde precisam de calor humano. Seja você um egoísta a menos! Faça você o que deseja ver realizado! Do micro pro macro, simples assim.
Se cada um fizer no seu ambiente o que deseja ver de melhor, aposto que muita coisa melhorará pela ação individual, sem buscar salvadores da pátria, pois afinal, já atingimos a maioridade ou não? Será que ainda precisamos ser tutelados e levados pela mão até onde queremos? Não acredito nisso ou pelo menos, não quero acreditar!
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domingo, 13 de março de 2016

Tédio



a homogeneidade
é tão plana
tão previsível

que

entedia!




 

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