DIREITOS AUTORAIS

Todos os textos aqui publicados são autoria de Ala Voloshyn.
Direitos autorais são protegidos pela Lei 9.610, de 19 de Fevereiro de 1968.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Confiar

Confiar
Fiar
Tecer
Significados que se entrelaçam

Assim como um tecido
Tecemos o encontro

Para tecer é preciso antes fiar
E isto cabe a cada um


Seda
Algodão

Não importa

Atenção e dedicação
É o que importa

Respeitando a fibra
Com delicadeza
E precisão

No encontro
Entrelaçando os fios
Se faz o tecido

Nem meu
Nem seu

Nosso

Sua trama revela

A qualidade do tecido está nos fios
A qualidade dos fios está no fiar
A qualidade do fiar
Mostra a condição do confiar

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

domingo, 27 de junho de 2010

E Agora?


Agora estou bem
Mas não estava
Não sinto mais dor
Mas senti

Onde estavam aqueles que podiam me ajudar?
Onde estavam aqueles que podiam mudar minha história?
Onde estavam aqueles que diziam me amar?

Agora estou bem
Mas não estava

Quem podia me ajudar disse que fez sua parte
Mas não podia fazer mais

Fazer sua parte não basta
Todos precisam fazer sua parte

Apanhei
Chorei
Senti medo
Fugi

Mandaram-me de volta

Apanhei
Chorei
Senti medo
Morri

Onde estavam aqueles que deviam me ajudar?
Onde estavam aqueles que deviam acreditar em mim?

Agora não sinto mais dor
Agora não sinto mais medo

Mas e agora?

Até quando iguais a mim terão que pagar pelos erros de todos?

Fazer sua parte não basta
Todos precisam fazer sua parte

E agora?

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Saudade


Saudade

É como a onda do mar
Às vezes vem forte e derruba
Às vezes é suave e apenas toca

Saudade

Saudade de quem se ama
Saudade por quem se espera

Saudade

É uma alegria que está na memória
E uma vontade de ter perto
Quem não está

                             © Direitos reservados a Ala Voloshyn

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Fogão à Lenha da Minha Avó



Observando uma fogueira lembrei-me de minha avó, baba Anna. A chama robusta, sua cor, o estalar da lenha, seu cheiro característico. Tudo me trouxe de volta aquela mulher pequena na estatura, mas imensa em sua sabedoria e coração.
Lembrei-me do seu fogão à lenha e de suas panelas de ferro a cozinhar o alimento, que preparava com atenção e presteza. Minha querida baba Anna, quanta saudade! Saudade das histórias que contava para meu irmão e eu antes de dormirmos. Era expressiva e entusiasmada, sua voz era sempre suave e firme ao mesmo tempo.
Ela era ímpar. Sabia preparar boas conservas. Plantava, bordava, manejava o tear com precisão. Conhecia a natureza do dinheiro. Cantava, orava, abençoava. Soube defender a vida de seus filhos dos horrores da guerra até migrar da Ucrânia para o Brasil. Era carinhosa e ao mesmo tempo austera quando cobrava perfeição.
Incansável, dormia pouco e trabalhava muito. Sempre ao lado de meu avô, parecia que as dificuldades não a incomodavam, pois não reclamava, apenas trabalhava. Quanta saudade eu sinto da minha baba Anna!
Queria tê-la ao meu lado, ouvi-la novamente, sentir seu afeto e seu abraço. Quanta falta isso faz! Quanta falta uma verdadeira mulher faz num lar! É ela que mantém este lar aquecido e aconchegante. É ela que mantém a união. É ela que cuida da vida! É ela uma sacerdotisa a preservar o fogo que transforma  e mantém a vida por todo o tempo!
Foi o fogo que a me fez lembrar e aos poucos fui percebendo o quanto ela havia me influenciado com suas atitudes. Foi com ela que aprendi a gostar das flores e da terra. Foi com ela que aprendi a bordar observando-a com seus tapetes de sacos de batata. Foi com ela que aprendi a cantar, orar, lutar, abraçar. Foi com ela que aprendi como é ser uma verdadeira sacerdotisa, uma verdadeira mulher.
Minha querida baba Anna, como eu ficaria feliz ao senti-la novamente perto! Guardo sua foto, a cruz que deu para meu batismo. Guardo seu sorriso e seu brilho no olhar. Guardo-a em meu coração. Guardo-a em minha memória para que me guie nesta difícil tarefa de ser mulher. Sinto-me feliz por tê-la como um exemplo de força feminina.
O tempo passa e a consciência de sua importância em minha vida aumenta, alegrando-me a alma e despertando uma profunda vontade de ser como ela, uma sacerdotisa, uma verdadeira mulher.
Sinto-me feliz, em ter seu sangue em meu sangue, seu coração em meu coração!

       © Direitos reservados a Ala Voloshyn

domingo, 23 de maio de 2010

Para os Meninos que Sonham


ABA/São Bernardo do Campo - sub-13 / 2010
Metodista / 2011













São Caetano - sub-16 / 2013


Meninos que jogam
Meninos que competem

Competir não basta
É preciso vencer

Vencer o adversário
Vencer o medo
Vencer a dor
Vencer o cansaço
Vencer a pressão

Vencer com ética
Vencer com técnica
Agilidade
Concentração

Vencer não basta
É preciso vencer a si mesmo
Aprender a vencer de tanto perder

Perder
Vencer

Só existe uma vitória
Vitória de cumprir um sonho

Com honra
Com paixão
Com a alegria de um menino

Meninos corajosos
Meninos que vivem seu sonho
Jogar basquete

 © Direitos reservados a Ala Voloshyn


Ilustração: acervo pessoal

terça-feira, 4 de maio de 2010

Eu Sou Rei

Eu Sou Rei
Eu Sou dono do meu poder
Eu Sou soberano em minha vida
Eu e minha vontade somos um
Eu quero
Eu posso
Eu venço
Eu julgo
Eu não me responsabilizo
Eu Sou
Nada pode me ferir
Faço tudo para me defender
Alcanço o poder
Para mais poder ter
Nada me atinge
A não ser um único bem
A Lei
Quando tenho que arcar com as consequências
Meu poder treme
Eu sofro
Mas não aprendo
Até a Lei me julgar
E me devolver o que criei
Minha coroa cai
E tenho que começar de onde parei
Meu olhar tenho que levantar
E enxergar mais do que posso criar
Minha criação não posso dividir
Meu reinado é só meu
E por isso cai
Pela falência de meu poder
Sofro
Mas tenho que renascer
Tenho que compreender a vida além de mim
Tenho que compreender que Sou Rei
Prisioneiro de mim


© Direitos reservados a Ala Voloshyn

domingo, 2 de maio de 2010

Cachorro Manso

Por que a docilidade é tratada como inferioridade?
Por que a mansidão é vista como fraqueza?
Desrespeitada,
Como um cachorro manso que recebe chutes e maus tratos.
É preciso sempre mostrar os dentes para ser respeitado?
Como cachorro bravo que ninguém ousa enfrentar?
Assim deve ser o manso?
Que mundo é este?
Onde todos reclamam da violência,
Mas não sabem ser mansos.
Mansidão não é fraqueza,
É mansidão.
Violência é fraqueza.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mãe


Quando seu ventre cresce e ela sente o primeiro fisgar e depois os movimentos cada vez mais definidos, percebe que dentro dela traz alguém, que não sabe como é seu rosto, mas que ama com toda a força de seu coração.
Uma mulher que até então não conhecia de fato o sentido de pertencer ao gênero feminino, compreende que Deus atua nela através de seu poder criador de ser mulher. Tudo caminha seguindo os desígnios da natureza e ela participa de maneira essencial. Muitos sentimentos experimenta. Medos de falhar a assombram, mas ela continua a desempenhar seu papel de mulher.
Quando finalmente pode segurar em seus braços aquele que gestava, mais sentimentos surgem. Ainda não sabe o que a espera, mas a natureza a preparou para esta tarefa que terá que realizar. De mulher em potencial ela se torna cúmplice da Criação e seu destino se define para sempre. Será mantenedora da vida e para isto direcionará sua ação como guerreira amorosa e atenta.
Mulher mãe, tarefa que a torna melhor, pois terá que aprender muito, para permitir que seu filho cresça bem. Terá que se modificar para não impedir que seu filho seja feliz. Terá que se transformar para que seu filho se transforme. E assim a menina, moça, mulher, mãe se torna. Será mais sábia, mais guerreira. Conhecerá o tamanho e a forma do amor incondicional.
É assim, que uma mulher se coloca mais perto de Deus.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn



Amigo


Ele é meu amigo
Poucas vezes o encontro
Mas muitas vezes sinto sua presença

É alegre
Misterioso também
Fala pouco
Mas quando fala eu o entendo
Ele me entende

Está sempre presente quando preciso de um amigo

Um amigo assim é sinal de sorte

Boa sorte

Um amigo que o vento não leva
Que o coração identifica e se alegra

Um amigo que chega silencioso
Trazendo em suas mãos o acolhimento
A paz que muitas vezes não consigo sentir

Mas com ele posso acreditar

Que a paz existe
Lá no fundo do coração

A aquecer o coração do meu amigo
A aquecer o meu coração
Quando nossos corações se reconhecem

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Sol Oculto


o sol que se mostra
o sol que se oculta
qual deles devo mirar?

quando a escuridão perturba meu pensar
quando a confusão espanta meu andar
não sei para onde olhar

mas meu instinto
nutre meu coração
e me orienta

diz que não há motivo para confusão
se o olhar atender ao chamado do altar
que mostra o mundo manifesto a borbulhar
no ferver do caldeirão
a transformar o que bruto estava em alimento que nutre

ao me alimentar desse guisado
meu olhar não se confunde mais
olha para o alto
e enxerga
o que oculto estava a brilhar no escuro

revelando

o confuso nada mais é
que um olhar para o manifesto
sem a percepção da luz solar

mas obscuro o sol oculto permanecerá
enquanto o olhar rígido e confuso ocultar
o que rege tudo
o que mantém o caldeirão a borbulhar
formando o guisado
que alimenta o andar

                                                     © Direitos reservados a Ala Voloshyn

terça-feira, 6 de abril de 2010

Olhe Bem


Parando um pouco com as atribulações do dia e olhando em volta, pude reparar em algo que sempre foi evidente, mas ainda não tinha me dado conta: o quanto somos todos pobres e ricos ao mesmo tempo.
Você pode pensar que não é bem assim, mas se olhar melhor verá que tenho razão. Uns, com as reservas financeiras lá no pé, invejando quem não sabe mais onde enfiar seu dinheiro e como gastá-lo, pois o excesso sempre pede por escoamento! Por sua vez, estes, também sentem inveja, pois não conseguem sentir prazer em coisas simples como o outro que com pouco tem maior satisfação! Esta balança parece desnivelada, mas não está! Ela se mantém neutralizada pela lei da polaridade, que nos mostra que tudo o que está num extremo, tem seu oposto em outro extremo. Quem está rico externamente, mostra pobreza interna e quem está rico internamente está pobre externamente. Portanto, estamos todos no mesmo barco e ninguém pode dizer que está pior ou melhor, tudo depende do ponto de vista.
Também não se defende aqui a pobreza para sentir felicidade. O que quero dizer é que quando temos dificuldades pensamos que se estivéssemos em pólo oposto estaríamos melhor, mas na verdade isto não garante felicidade, mas nos mostra que estamos em desequilíbrio e precisamos resolver o que nos falta para atingirmos o caminho do meio, a Lei, onde temos em equilíbrio os extremos. Onde riqueza externa reflete riqueza interna e isto não se refere exclusivamente a bens materiais, mas à suficiência para se integrar ao tudo e ao todo e fazer parte. Ser um que se soma, se integra, colabora com a evolução.
Parece que fomos feitos para buscar estímulo e motivo para usar sempre os recursos internos já desenvolvidos e desenvolver aqueles ainda em estado de embrião. Modificar erros de abordagem e constatar escolhas corretas. E tudo ocorre neste palco que chamamos vida.
Hora pra cá, hora pra lá. O pêndulo da vida nos imprime um ritmo, que só os mais sábios sabem evitar, mas como não estamos aqui nos incluindo nesta espécie de pessoas, vamos seguindo nossa rota até alcançarmos sabedoria suficiente para sermos donos de nosso próprio destino.
Voltando para a pobreza e riqueza, podemos concluir que todos somos pobres em alguma coisa e ricos em outra. Ninguém aqui pode invejar, vangloriar-se, sentir-se seguro demais ou perdido, sem saída. Cada um tem seu quinhão de sabedoria e ignorância. Os meios e as circunstâncias nos revelam o que temos para aprimorar e o que podemos usar como ferramenta para evoluir e apurar nossa função nesta coisa que chamamos sociedade, cada vez mais atrapalhada na colheita de suas próprias escolhas.
Portanto, sem perder tempo com a inveja, cada qual que levante suas mangas e trabalhe por si, para poder ser alguém melhor, pelo menos, para servir de exemplo. Já é um bom começo!

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

quinta-feira, 25 de março de 2010

Um Mercador






Um mercador
Que se veste de mestre?

Quem pode saber?

Os olhos não conseguem decifrar a dúvida

Talvez alguém possa

As almas que comprou
Talvez elas saibam exatamente quem é

Um mercador vestido de mestre?

Somente as almas que acumulou
Podem dizer quem é

E as almas quem são?
Ao pesarem quanto valem
Ao valerem quanto pesam

Que valor é este?

O mercador sabe

O mestre também

Mas as almas que se vendem
Não sabem o valor que tem

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

sábado, 20 de março de 2010

Outono



Querido Outono
Que bom que chegou

Estava com saudade

De sua brisa fresca
Do calor agradável
Das suas flores

De todas as cores das folhas
amarelo
vermelho
ferrugem

Adoro

Tenho vontade de escrever
Ler
Caminhar
Sorrir

Minha alma agradece tanta generosidade

Seu nome poderia ser suavidade
Simplicidade
Esperança também

Cada folha que cai
Reserva um lugar para outra que virá
Assim a morte se torna branda e renovadora
Assim me sinto feliz
Assim gosto

Adoro

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pelo Olhar


Chegará o dia em que não nos veremos mais

Não nos tocaremos 

Nossas palavras não ouviremos

Não seremos quem somos

A impermanência mudará tudo

E meu coração estremece, aperta e dói

Não quero pensar assim

Mas é em vão

Negar não muda nada

Por isso aceito

E assim, a vontade de viver com mais atenção me invade

A vontade de olhar, sentir, ouvir, refletir, tocar, falar

Impera

Aprendo que cada dia é único

Então não deixo passar

Meus olhos profundos tocam os seus      

Para quando não formos mais quem somos

Sejamos capazes de nos reconhecer pelo olhar


© Direitos reservados a Ala Voloshyn

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Que nos Nivela



Como vivemos?
Nossas cidades quase que completamente pavimentadas. Árvores escassas. Ar impuro e abafado. Carros aos montes a disputar um espaço que diminui. Nossa inteligência colocada à prova através de todos os problemas que enfrentamos, pois quem constrói desta maneira só pode ter sua inteligência questionada.
Vivemos como se estivéssemos à parte de tudo o mais que vive e respira. Passamos por cima deles com nosso egoísmo cego e tolo. Não enxergamos nada além de nossas conveniências e interesses à curto prazo. Tudo é pra ontem. A pressa nos consome, consumindo nossos corações que batem cada vez mais acelerados. Em busca de quê?
Que civilização é esta?
Cuidamos cada vez menos dos nossos filhos. Os conhecemos pouco, apenas esperamos que concluam o que não fizemos. Que herança temos a lhes deixar?
Predadores é que somos!
O mundo que enxergamos nada mais é que a extensão do que acreditamos e somos, desconectados de nosso coração/mente. Cada um cuidando de sua pequena vida, sem enxergar a vida próxima e com isso esbarramos uns nos outros sem nos olharmos.
Qual pode ser o resultado disto?
Quem tem mais pode mais. Quem paga mais fala mais alto. “Se estou pagando tenho direito!” Esta é a ética do momento.
Quem pode mais tem privilégios e se acha seguro de toda a miséria que construímos ao longo de todos estes anos.
E quem não pode como fica?
Quantas pessoas de valor incomensurável estão vivendo de cabeça baixa, pois não estão incluídas no grupo dos que podem mais!
E assim a injustiça mantém sua espada sobre a cabeça de todos.
Mas vêm chuvas intensas, terremotos, ventos absurdos! Medo, confusão, incertezas, perdas. Tudo que construímos aos poucos desmorona.
A segurança que tanto buscamos se desfaz a cada problema que temos que resolver.
Quem pode afirmar que está a salvo e distante do que vemos diante de nós?
Ninguém! Todas as garantias de proteção que implantamos não valem muita coisa quando a terra treme debaixo dos nossos pés, quando a água invade nossas casas, quando o vento derruba as árvores que não cuidamos, quando a terra desconhecida desliza levando consigo quem amamos ou bens que nos apegamos. Não sabemos o que fazer, a não ser pedir ajuda. E aqui já não faz mais diferença quem pode ou quem não pode. Todos estão no mesmo nível!
A natureza com sua idiossincrasia nos mostra que o equilíbrio entre tudo e todos é fundamental. Construir respeitando o espaço em que se está. Respeitar todos os seres viventes. Se relacionar com respeito pela vida de todos.
A natureza nos coloca em xeque, não como uma entidade superior e à parte, mas nos inserindo em seu contexto e nos iluminando a mente para que possamos perceber a verdade de que tudo está interligado, que dependemos uns dos outros e que toda escolha tem sua consequência. Ninguém está seguro se estiver fechado em seu núcleo egoísta e exclusivo.
Não acredito em castigo, mas em oportunidade para mudarmos a rota que estabelecemos.
Diante de tudo, a única coisa que nos consola é percebermos o melhor, a solidariedade.
Aposto na nossa capacidade de admitir que quanto mais isolados e ensimesmados, maior será nossa fragilidade e condenação.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Melhorou ou Piorou?



Às vezes fico refletindo em como é lenta nossa evolução e o quanto repetimos erros e sofrimentos sem pensarmos que talvez estejamos fazendo algo errado e assim podemos passar a vida inteira sem desconfiar que possa não ser golpe do destino, mas escolha.
É muito comum basearmos nossas ações em premissas erradas, sempre motivadas pela ignorância, é como olhar para alguma coisa na penumbra, o objeto é compreendido de forma distorcida ou incompleta e tudo o que fizermos daí em diante será fundamentado nestas distorções. Se a relação com o objeto não for alterada ele sempre parecerá nítido, enquanto na verdade, estará distorcido. Além do que, se ao olhá-lo as emoções estiverem em jogo, então a marca será imprimida em nossa mente e repetir a imagem ilusória e a emoção original será inevitável.
Toda vez que justificamos uma dificuldade pessoal através do que nos aconteceu no passado, claro, nos colocando como vítimas da situação por acreditarmos em lesões sofridas, devemos nos fazer uma pergunta: hoje estou melhor ou pior do que estava antes? Se a resposta for “melhor”, então não houve lesão e com certeza a premissa está errada e é preciso alterar a crença e por isso olhar para si de forma diferente. Se a resposta for “pior”, então se tem um bom trabalho de cura para realizar e é melhor não esperar muito tempo para fazê-lo.
Vivemos de contrastes neste mundo onde conforto demais é tão nocivo quanto dificuldades sem fim. Precisamos de um equilíbrio entre alegrias e tristezas, isto é, precisamos um pouquinho de cada para não desanimar em nossa jornada ou então acreditar que estamos completos e por isso não precisamos melhorar. Tudo é contraponto e necessitamos de estímulo constante para desejar evoluir.
O que vale é o resultado! Se algum sofrimento existiu nem sempre causou danos irreparáveis, tudo depende do que foi feito, das escolhas, da força do ego. Cada pessoa pode dar um rumo diferente ao mesmo assunto, por isso devemos verificar o resultado. Se ele for positivo, benéfico, então não houve dano, mas evolução e é isto que vale no final das contas.
A dor pode ser esquecida e a ferida curada quando reformulamos nossas crenças e para isto é preciso mudar nossas bases ignorantes. Podemos dizer que existe ignorância quando desconhecemos algo, quando sabemos com algumas distorções ou quando distorcemos a verdade por completo. E ignorância sempre gerará desejos e apegos pelo que gostamos e aversões pelo que não conhecemos, não gostamos ou não acreditamos. Tudo isso colocado em ação só pode resultar em sofrimento.
Melhorou ou piorou? Esta é a pergunta que eu lhe faço!
O que você fez com o que viveu? Transformou em dor ou sabedoria?

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2010

A data da chegada está determinada
A data da partida também
Mas o que cada um faz com sua vida não

Que em 2010 percamos menos tempo com o que passa
E vivamos o que nos torna melhores

Escolhas estão o tempo todo em nosso destino
Destino que tecemos no decorrer do tempo

Tempo que não controlamos
Mas que amadurece o que de bom fazemos
E nos tira as escolhas que adiamos

Ala

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Vampiro


Você explora o que de melhor tenho
Minha generosidade e compaixão
Deposita sobre meus ombros seus pesos
Acredita que suportarei e o acolherei

Sempre faço
Sempre me arrependo

Suas emoções deixa transbordar
Assim como as mantém
Não suporta e prefere invadir meu limite
Não se importa comigo

Quer apenas tomar o que não é teu
Para se aliviar
Para dominar
Para fazer realizar o que quer

Vampiro

Utiliza minha energia
Devora meu querer
Obriga a ceder por lhe amar
E não querer lhe ver chorar

Traidor

Ama de um jeito incompleto
Amo de um jeito incompleto

Não acredito em sua força
E por isso perco a minha

Tenho que mudar
Começar a acreditar em teu poder
E resgatar o meu

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Contando uma História


O que você faz quando está triste? Vou lhe contar o que eu faço.
Quando meu coração aperta e as lágrimas não param de rolar eu fico quieta, deixo todas as lágrimas descerem e o coração apertar até seu limite máximo, porque sei que assim que não aguentar mais terei ido o mais fundo que posso e é neste limite que encontro impulso para sair. E sempre saio mais forte e mais lúcida, sempre alguma resposta eu encontro. Fica mais claro qual a razão do meu sofrimento.
Aprendi a não temer minha tristeza, pois acredito que tem sempre uma boa dica a me dar a respeito do caminho que devo seguir ou das escolhas que devo mudar. É uma bússola, não há perigo nela. O perigo só existe quando o sentimento depressivo toma conta de tudo e a vida perde seu sentido, aí é hora de ficar em alerta.
Este mundo não é fácil para nós mulheres. Temos muitos deveres, muitos medos, nosso corpo muda várias vezes durante a vida, não conquistamos todos os direitos que precisamos e nossa identidade feminina ainda está incompleta. Mas estamos aqui vivendo e se não somos respeitadas ou compreendidas como gostaríamos precisamos continuar e não fazer conosco o que nos fazem. Ser mulher é viver muitas emoções e desfrutar de muitos papéis e isto é rico demais e não podemos perder esta oportunidade.
Se a opressão lhe aflige, se seu corpo não está como gostaria, se seu companheiro não a enxerga devidamente não se perca em sua tristeza, mas mergulhe nela e se pergunte por quê. Peça ajuda quando precisar e faça por você o que precisa. Tome sua vida em suas mãos e seja quem você quer ser. Se for assim o respeito e admiração virão, pois o brilho de quem se assume é visível e poderoso. E acima de tudo conquistará sua paz de espírito.
Olhe-se no espelho, observe seus olhos e perceba como estão. Eles lhe mostrarão o que precisa e como deve prosseguir. Cuide-se, trabalhe a seu favor, como um ser humano íntegro e único. Faça parte deste mundo como ele é e encontre seu espaço de mulher e viva, mas viva para crescer, não para agradar alguém. Viva para ser feliz. Viva e faça de sua vida algo que vale a pena ser vivido.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Holografia


Quando algo incomoda quero mudar o que vejo, pois acredito que é o que me atrapalha. Tento inúmeras vezes e não consigo ou até consigo remover do externo meu infortúnio, mas aqui dentro de mim algo não muda, o resultado continua o mesmo. Por quê? Pergunto-me inúmeras vezes e a resposta mantém-se incógnita.
Minha mente não consegue mudar o foco e persiste a procurar uma razão fora de mim e nada. Tudo permanece do mesmo jeito! Até que começo a desconfiar do meu olhar e então reflito e passo a acreditar que estou observando do lado errado. Se a ideia de que o que está fora é igual ao que está dentro estiver correta preciso investir em outro caminho.
Ao identificar bloqueios externos busco dentro de mim elementos da mesma natureza e então a clareza se instala. Claro! Por que não pensei nisto antes? Talvez porque procurasse culpados, agentes poderosos mantendo minha vida em suas mãos! Mas não é verdade, ninguém tem tamanho poder!
Se então, sou eu que produzo o resultado que não gosto só eu posso mudá-lo de fato! Nossa que medo! Que alívio também! Eu posso!
Quando este olhar lúcido acontece, fica claro que meu mundo é uma projeção holográfica de mim mesma. É assim, ao olhar o de fora, consigo olhar o de dentro! E o contrário também é verdadeiro.
Mas como mudar, se tenho medo de tocar o que me aprisiona? Não sei o que vou encontrar! Preciso analisá-lo com mais profundidade, conhecer suas faces e razões. O trabalho parece árduo, mas inevitável! E então mergulho dentro de meu universo oculto e busco a chave de minha prisão. Não sei quanto tempo precisarei, mas tenho que fazê-lo, se quiser de fato transformar minha condição externa.
E é nesta viagem que me conheço melhor, tiro minhas máscaras e posso me olhar no espelho que só eu tenho acesso e então vejo quem realmente me impede de evoluir e assim numa conversa franca e corajosa traço um caminho pra mim e o projeto numa imagem holográfica para que possa vivê-lo. É assim que faço um impulso mais forte e consciente para o que quero. É assim que mudo meu estado. É assim que deixo de acreditar que fora de mim reside meu problema e as razões do meu sofrer. É assim que me encontro comigo mesma e coloco minha vida em minhas próprias mãos, sem desculpas, sem medo.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

Graças a Deus


Mudar a cor do cabelo
Mudar de casa
Mudar a relação
Mudar os amigos
Mudar uma crença
Mudar de religião
Mudar uma atitude
Mudar o interno
Mudança é a palavra
Eterna palavra
Pois nada é seguro
Nada é pra sempre
Tudo muda
Graças a Deus!

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O que Vale é o Resultado


Viver não é muito simples. Exige empenho em todos os sentidos. A precisão que desejamos nem sempre está presente, mas precisamos viver. E pra quê viver? Para acumular bens? Pra sermos felizes? Pra crescermos e morrermos?
A ideia do sentido da vida é muito desigual. Cada um busca sua referência, mas também há aqueles que não se importam muito com o significado dela, simplesmente vivem e vão levando a vida que têm, um dia depois do outro.
Você é livre para fazer a opção que desejar, mas não é livre diante de suas escolhas, pois cada uma delas tem consequências e isto pode deixá-lo em situação mais difícil ou menos difícil, dependendo do que almeja.
Mas seja lá o que você queira sempre um conflito terá que enfrentar. Tudo se manifesta em polaridade, tudo tem seu oposto, o bem, o mau, o certo, o errado, o bonito, o feio, o pacífico, o violente e assim por diante até o infinito.
Sempre está diante de uma escolha e muitas vezes teme pelo resultado. Se a situação for muito tensa, pode preferir não escolher e deixar o tempo resolver, mas isto não adianta muito, pois tudo o que deixou pendente voltará a lhe solicitar uma solução.
E quando sobe no palco da vida está sujeito a tudo. Muitos machucados, mágoas, perdas, trocas, desilusões, batalhas, dúvidas, vitórias, abandonos, encontros. Tudo o coloca em cheque e muitas vezes preferiria não viver pelas dores acumuladas pelo tempo.
Já percebeu que o sofrimento permeia todos os momentos da vida? Parece que não conseguimos escapar disto. Mas sofrer faz parte da contínua transformação que vivemos. A borboleta precisa fazer muita força com suas asas para sair do casulo e isto não é prazeroso, mas sair do casulo sim e cumprir sua vida de borboleta.
O mesmo se dá com você. Quantos sofrimentos tem acumulado? Quanto é doloroso mudar, transformar apegos. Toda vez que algo tem que se modificar gera certo sofrimento. Precisa lembrar que todo renascimento é o estado da borboleta ainda dentro de seu casulo e a glória, a satisfação e a lucidez, são resultados de todo o esforço feito para mudar seu estado.
Você e todos somos eternas borboletas fortalecendo as asas ao imprimir força para sair do casulo. O nosso casulo é a ignorância, o apego, a intolerância, egoísmo, ciúme, preguiça, desonestidade. Enfim, tudo aquilo que nos leva à estagnação. O sofrimento é o esforço que temos que realizar para modificarmos nosso estado de aprisionamento, de perda de tempo de vida.
Se ficar olhando apenas para suas perdas, dores, frustrações. Se continuar batendo no seu peito ao acusar o outro pelos seus danos não conseguirá enxergar os benefícios que resultam de tanta dor e sacrifício.
Deus não escreve certo por linhas tortas? É isso mesmo! Às vezes você não tem discernimento suficiente para avaliar o verdadeiro sentido de uma vivência e perde sua essência reclamando de suas chagas. Quantas vezes viveu situações tão complicadas e questionáveis e teve como resultado benefícios incomparáveis a lhe calar a boca cheia de reclamações?
Portanto, pare de reclamar e saiba que o que vai valer mesmo é o resultado. É ele que servirá de semente para seu momento seguinte, por isso cuide de suas sementes. Cuide dos resultados e não se perca nos meios.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Morte, um Ponto de Partida


Para onde vou meu voo me leva .

No coração levo o amor de quem me ama.

Assim meu voo se torna leve e feliz.

As lágrimas secarão.

Meu voo seguirá sua jornada .

Em breve pousarei em outros mundos.

Em breve retornarei.

Em breve reencontrarei quem no coração guardei.

© Direitos reservados a Ala Voloshyn

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Amigo Inimigo ou Inimigo Amigo?


Quem você considera ser seu amigo? Aquele que está sempre ao seu lado, independente do que você faz? Aquele que o leva para se divertir, que o consola, que não interfere em seu namoro ou casamento ou aquele que não o prejudica?
E quem considera ser seu inimigo? Aquele que faz justamente o contrário? Não está ao seu lado incondicionalmente, se mete em seus relacionamentos ou aquele que é craque em lhe abandonar nas horas mais difíceis?
Bem, se ficarmos aqui descrevendo todas as características separando o amigo do inimigo não terminaremos nunca, pois sempre surgirá uma idea nova a confundir a cabeça, já cansada de tanto pensar!
Seguir almanaques que dão receitas de bolo dando-nos a segurança de termos encontrado um guia confiável é apenas sinal de preguiça de quem quer pensar pouco ou quase nada! Aqui o discernimento passa longe!
Neste mundo em que vivemos tudo depende. Por isso é tão importante esse tal discernimento ou seja, separar uma coisa da outra sabendo qual é a diferença, perceber com profundidade, refletir. Complicado? Não! Trabalhoso, mas onde não existe trabalho?! Só no mundo dos preguiçosos ou medrosos.
A preguiça não precisa ser explicada, mas o medo neste caso sim, pois só quem tem medo de se deparar com o diferente do que pensa pode querer um guia externo infalível. Este medo geralmente vem acompanhado da necessidade do controle sobre o externo. Quem não tem controle interno é craque em controlar o externo.
Tentando se aprofundar no conceito de amigo, pode-se dizer que todo aquele que deseja realmente sua felicidade e que se predispõe a fazer o que puder para colaborar pode ser considerado seu amigo, mesmo que tome atitudes que não lhe sejam agradáveis, mas que o façam crescer, muitas vezes correndo o risco de ser considerado um inimigo por tê-lo feito sofrer, mas com isso abrindo seus olhos e mente. Tem aquele que nem é considerado amigo, não gosta de você, mas com suas maldades o impulsiona para atitudes dignas de um ser humano decente e inteligente. Se você estiver realmente preocupado com sua evolução, irá aproveitar qualquer situação para tirar melhor proveito dela para crescer.
Mas e o seu inimigo quem é? Às vezes é difícil de perceber, pois pode ser considerado como o melhor amigo, mas que o boicota, reforçando suas atitudes mais idiotas, vaidosas ou suicidas, mesmo que tudo lhe pareça agradável! Pode ser aquele que gosta tanto de você que o protege com exagero, mantendo-o numa redoma tão confortável que a preguiça de crescer se torna maior que sua força de vontade.
Portanto, tudo depende, isto é, depende do que considera ser bom ou não para si e do quanto está comprometido com seu aprimoramento. Você  define quem está ao seu lado ou quem o prejudica retardando sua evolução.
O discernimento e a  determinação para evoluir são extremamente importantes,e no final das contas, o que faz realmente a diferença não é quem você considera ser seu amigo ou inimigo, mas as escolhas que faz em sua vida!

 © Direitos reservados a Ala Voloshyn

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nem Sempre a União Faz a Força


Nos livros escolares de meus pais, na Ucrânia, na década de 30, havia um conto sobre um bezerro que ao cair no rio, não conseguia sair. Com a intenção de socorrê-lo aproximaram-se um caranguejo, uma cegonha e um peixe. Todos seguraram o bezerro e rapidamente começaram a puxar para salvá-lo. O caranguejo puxou para o lado, a cegonha para cima e o peixe para baixo. Não fica difícil de imaginar o que aconteceu com o bezerro! Afogou-se!
É comum dizermos que a união faz a força, mas só a boa intenção de cada um não basta, é preciso mais que isto quando a ação se torna necessária.
Sabemos que todo ser humano é uma manifestação única e que cada um busca o fortalecimento de sua individualidade. A consciência de si mesmo e a expressão da própria identidade, fundamentados na autotransformação são tarefas para uma vida inteira.
Sabemos também o quanto é importante conhecermos nossas capacidades para a ação e para a superação de nossos limites.
Além de tudo, fica bastante claro que mesmo tendo conquistado a individualidade, ainda somos seres sociais e existimos dentro de um grupo, isto é, o senso do coletivo é inquestionável. Dentro desta realidade somos influenciáveis e influenciamos. Nossa liberdade fica condicionada à consciência de que sempre esbarramos na liberdade do outro. Não é simples conviver.
No decorrer da vida, se formos bons observadores, aprendemos que é na convivência que desenvolvemos a percepção. Os contrastes entre o "eu" e o "você" geram uma riqueza incalculável de possibilidades de aprendizagem a respeito de nós mesmos, do outro, assim como da situação. Além do enriquecimento pessoal vamos cada vez mais aprendendo que a realização de qualquer coisa depende do trabalho de vários, isto é, fica claro que o grupo é fundamental para a construção de algo. Apenas um indivíduo não consegue fazer tudo, além do que, somos interdependentes. Alguém assou o pão do nosso café da manhã, alguém dirige o ônibus que usamos, alguém plantou o tomate que comemos, alguém depende do nosso trabalho, alguém precisa de nosso cuidado. Enfim, o individual não se desenvolve à parte do coletivo.
A mútua colaboração mostra que cada ser humano tem algo a oferecer. Todos, sem distinção, podem contribuir com a condição que tem, para que na união de todas as expressões possamos realizar o crescimento geral. Mas se agirmos como os personagens do conto, onde as forças isoladas são inúteis pela falta de integração, com certeza as perdas serão inevitáveis.
De que vale o conhecimento, o poder, boa vontade, recursos, se não conseguimos integrá-los num grupo? De que vale a individualidade se não a tornamos parte do todo?
Usar unicamente sua força é diferente de adequá-la à força do outro. É importante uni-las, combiná-las em prol de um objetivo comum.
A união só faz a força quando cada indivíduo está consciente do quanto sua contribuição é valiosa, somando-a aos seus semelhantes e formando assim, uma só força.
É preciso reforçar a ideia, de que somos uma célula dentro de um organismo, onde cada um tem uma função, que quando realizada conscientemente provoca a saúde e desenvolvimento de todos. Guiar a vontade própria apenas para onde se quer sem considerar o todo, só pode provocar atraso na evolução.

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domingo, 9 de agosto de 2009

Coragem


Mundo difícil este de se viver! O medo impera. A obrigatoriedade de resultados também. Acreditamos mais na eficiência das máquinas que criamos que na sintonia do coração. A intuição não sabemos mais usar, pois nossa mente está assolada por informações que muitas vezes não precisamos. Nosso corpo está se deformando pelo sedentarismo ou pela alimentação cada vez mais artificializada. Nossas crianças e jovens morrem por doenças ou pela violência que não conseguimos diminuir. A mulher não sabe mais qual é o seu papel e o homem já não consegue viver em paz com esta mulher.
Mundo estranho esse o nosso! O errado prepondera e o ético e saudável precisam de uma luta imensa para prevalecer! E nós, o que estamos fazendo? Em que posição ficamos?
Sabemos o que não está bem e engolimos diariamente inúmeras sacanagens, injustiças e mentiras. Na maioria das vezes não fazemos nada, nos conformamos dizendo que não adianta agir ou reclamar, outras vezes, dominados pelo medo, nos encolhemos e deixamos o antiético crescer e proliferar.
De quem é a responsabilidade por tanta sujeira? De todos! Daqueles que agem injustamente e daqueles que se omitem diante do mau.
Quantas barbaridades acontecem em todos os meios de nossa sociedade e nada é feito? Só ficamos sabendo de algo quando explode um escândalo ou um acidente terrível acontece. Quando uma violência se revela através de um noticiário da televisão. Quem já não ficou sabendo de descalabros contados por alguém? E aí você deve estar se perguntando:
- O que devo fazer se não sei de tudo o que se passa nos bastidores?
É verdade! Mas alguém sabe! E por que se omite? Alguém sabe de um roubo. Alguém sabe de um erro médico. Alguém já foi lesado e se calou. Alguém viveu uma injustiça e nada fez. Alguém já sofreu violência e deixou seu algoz sair ileso. E por quê? Se nada é feito para mudar nada mudará, pelo contrário, o ruim aumentará!
Claro que o “olho por olho e dente por dente” não é a saída, pois assim a violência crescerá infinitamente, até não sobrar ninguém inteiro para contar a triste história. Mas a omissão também não é o caminho, pois quando sabemos de algo errado e não fazemos nada para mudar estamos colaborando com o doentio e nocivo e assim aumentamos a estatística dos omissos. Que vergonha! Não é?
Parece que tudo está chegando a um limite insuportável, por isso aqui vem a coragem. Não a coragem de um super-herói, mas de um ser humano ético e que se preocupa com o seu futuro, assim como o de qualquer ser vivo. Refiro-me aqui a um ser humano que sabe que o errado não deve proliferar e tem uma atitude, posiciona-se fiel a sua consciência e assim incentiva outros a agirem da mesma forma. Com o tempo os mal educados passarão a serem educados pela ética e amor daqueles que se tornaram responsáveis pela vida e pela não violência. Só assim mudaremos esta história quase insuportável que tecemos ao longo de séculos de mentiras, tiranos e omissos.
Termino este texto de reflexão com uma oração árabe:

Pai misericordioso.
Desperdicei meus dias fazendo muitos planos.
Isto não estava incluído.
Mas neste momento.
Eu lhe rogo para viver bem os últimos minutos.
Por tudo que devíamos ter pensado e não pensamos.
Por tudo que devíamos ter dito e não dissemos.
Por tudo que devíamos ter feito e não fizemos.
Eu lhe peço Deus, o teu perdão.

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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Michael


Poderia ser Miguel, mas é Michael. Poderia ser qualquer um de nós, nosso filho, irmão ou amigo, mas é Michael, mais conhecido como Michael Jackson.
Jamais conseguiremos avaliar o que significa ser um ídolo do porte dele. Como é não ter vida privada, trabalhar o tempo todo para manter sua majestade? Ser considerado um deus e ter que esquecer seu lado humano com necessidades de afeto e segurança como qualquer mortal.
Mortal, esta é uma palavra que nos assusta e que não consideramos, principalmente para um ídolo. Acreditamos que jamais morrerá e quando isto acontece passamos a enxergá-lo como um ser humano e então todas suas ações questionáveis seja a nível ético, psicológico, social entram em pauta para que possamos tentar destruir tamanha genialidade.
Não se pode negar que o artista Michael Jackson foi excepcional, deixando-nos referências dignas de serem imitadas e tamanha potencialidade desperta inveja e muita cobiça. Talvez esta luz tenha causado a sede de poder em seu pai. Claro que esta opinião deve ser considerada especulativa, pois muitos dados pessoais nos faltam para uma análise mais correta, mas seguindo as declarações feitas através da imprensa pelo próprio Michael, não resta outra coisa a pensar.
E quantos talentos fantásticos ou até menos brilhantes são usados por seus próprios pais para que eles mesmos brilhem sem tanto esforço? Por intermédio do filho podem realizar sonhos de qualquer espécie e se alimentar deste potencial a vida inteira, isto se ele não sucumbir antes deles, como aconteceu com Michael.
Qualquer talento é suficiente. Pode ser a beleza física, inteligência, capacidade para um esporte ou arte e assim por diante. A categoria não importa e sim a necessidade dos pais se projetarem no filho. Através de uma atitude vampiresca e predadora cobram-lhe o sucesso que desejariam ter, mas não acreditam serem capazes o suficiente para atingi-lo. Percebem que é mais fácil utilizar a energia do outro que pode se esvair rapidamente, como aconteceu com Michael.
Uma parada cardíaca demonstra um coração fatigado e entristecido, seja qual for o diagnóstico físico. E um coração fatigado delata anos e anos de abalo. A resistência e a vontade de viver o mantém batendo, mas cada vez mais enfraquecido, se esta rota suicida não for alterada.
O ídolo permanecerá para sempre na história humana, mas a pessoa de Michael que não conhecíamos não retornará e só ele sabe o preço que pagou pela sua genialidade e pela tirania a que foi submetido e da qual não conseguiu escapar.
Podemos aprender também por meio da observação. Acredito que seja benéfico refletir sobre as questões que aqui levanto e perguntar-se: estou sendo tiranizado ou tiranizo a quem admiro e desejo ser igual?
Cada um precisa cumprir sua própria vida e aqueles que têm a responsabilidade de conduzir um filho precisam praticar os limites que trarão segurança e liberdade para que todos evoluam, cada qual com sua potencialidade e realização.
Para Michael dedico meu respeito, admiração e uma oração para que tenha paz.

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Hoje de Amanhã


Quem hoje lhe estende o tapete pode puxá-lo amanhã.
As lágrimas que escorrem hoje podem libertá-lo amanhã.
As fugas de hoje podem acovardá-lo amanhã.
Os talentos desperdiçados hoje podem enfraquecê-lo amanhã.
As dúvidas de hoje podem lhe trazer as respostas de amanhã.
As agressões de hoje podem lhe trazer a solidão de amanhã.
As mentiras de hoje podem confundí-lo amanhã.
A liberdade custa caro e só você pode pagá-la.
O amor ainda não pertence ao mundo humano.
Ninguém ainda se sente o suficiente amado.
Porque olha para o outro através de seu querer.
E querer não é amar.
Amar não tem volta, pois quem ama nem sempre é percebido assim.
Resta amar e deixar que o tempo coloque as coisas no lugar.

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Andei Pensando e Escrevi



Passamos metade de nossa vida teorizando a Vida. 
A outra metade tentando encaixar nossas teorias em nossa vida. 
Morremos com a certeza de que era tudo teoria. 
Que isto nos fez perder tempo demais.

Talvez precisemos de menos teoria e mais vida. 
Menos temor e mais compromisso. 
Menos controle e mais entrega.

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domingo, 10 de maio de 2009

Patinho Feio

Tattoo pessoal
Todo patinho feio traz em si um cisne. Quando o patinho não sabe disto sofre acreditando em sua inferioridade e isto é mais comum do que podemos imaginar. Quantos patinhos feios estão circulando por aí nutrindo conceitos distorcidos sobre si, pensando serem incapazes, feios, pouco interessantes, cheios de defeitos, perdedores natos, azarados e muito mais?
Se refletirmos bem, o patinho na verdade não conhece suas reais capacidades, pois é impossível alguém sobreviver sendo tão incapaz! Ninguém é desprovido de capacidades! Aprendemos a pensar que somos inadequados, pelas distorções a respeito do que seja aprendizagem, amadurecimento, beleza, felicidade, e se persistimos, sem desconfiar de nada, as chances de realização ficam restritas. Todo patinho feio precisa crescer e questionar seu padrão de pensamento depressivo, para conseguir mudar seu destino.
O “pulo do gato” é desconfiar! Esta é a atitude que fará o nosso patinho feio desamarrar-se de conceitos equivocados e acionar sua vontade de conhecer seus talentos e colocá-los em prática. É preciso querer, se esforçar, insistir no autoconhecimento, se observar, viver as experiências sem rejeitá-las pela insegurança e aproveitá-las para formar uma imagem real de si mesmo. Aprender com as conquistas e dificuldades, desafiar o medo de errar, de ser rejeitado e principalmente, modificar o auto preconceito ou melhor, o auto boicote. Insistir e insistir, e a cada superação a confiança em si aumentará.
Passo a passo o patinho se transformará, até perceber que existe um cisne dentro de si. Então sua vida tomará um sentido diferente, só porque um dia este patinho feio desconfiou de sua inferioridade!
  
                                                      © Direitos reservados a Ala Voloshyn

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