Quando o chão desaparece e tudo fica cinza, não há mais o que fazer a não ser desejar um abraço, bem forte, sincero e revigorante. É só isso. Um abraço, só um abraço.
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A não-violência só será uma prática verdadeira quando
transformarmos a violência que reside em nós, que exala dos nossos poros, que
impera nos atos, que vibra no olhar. E qual é sua origem? Qual sua razão?
Observando melhor só consigo enxergar que por traz de todo
ato violento existe muita impotência. Parece contraditório, mas não é. O
violento é incapaz de realizar seu objetivo por si mesmo. É incapaz de se
organizar, se frustrar, se relacionar, trocar, refletir. Essencialmente não se
esforça em melhorar, mas usa com imposição a energia do outro para se
satisfazer, faz dele seu braço direito, o conduz para onde quer através do
medo, opressão. Desrespeita completamente a individualidade, viola o direito de
se viver a própria vida, não enxerga limites, pois, a meu ver, não sabe como
construir, não acredita em si mesmo.
Se como sociedade, continuarmos buscando poderes no externo
não alcançaremos a realização dos próprios talentos e recursos e a desejada
cultura da não-violência ficará distante. Projetamos no outro nossa felicidade
e por isso não compreendemos quem somos. Frágeis nos tornamos e por isso
continuamos tiranizando, entristecendo, atrofiando quem invejamos e que na
verdade admiramos. Se cada um procurar vencer suas dificuldades e realizar o
que deseja pela sua potência não precisará agredir.
A não-violência fundamenta-se na autonomia, respeito pela individualidade,
compaixão, autoconhecimento, paciência, companheirismo e na consciência de que
tudo evolui e precisa de tempo e espaço para se desenvolver. Sua raiz não é
externa, é interna.
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Recebemos uma imensidão de informações sobre agentes nocivos
à nossa saúde e todos os dias somos lembrados do que devemos evitar e do estilo
de vida seguro a desenvolver. Vivemos mergulhados em ameaças que algumas
conseguimos evitar e outras nem queremos pensar, tudo muito centrado
no biológico, mas fico imaginando o quanto engolimos todos os dias agentes
agressores ao nosso campo psicológico, sem associá-los ao mal que podem nos
causar, pela sua ação invasiva e ameaçadora ao equilíbrio vital.
Quantas mentiras, traições, manipulações, ameaças, cenas de
ciúmes, álibis que não convencem nem as crianças, promessas sem nenhuma
intenção de serem cumpridas, jogos de sedução, abandonos covardes, ações que
não correspondem ao discurso e assim por diante, tudo conversa “mole pra boi
dormir”! Todos os dias engolimos, engolimos e engolimos estes agentes
agressores e já habituados, nem um pequeno enjoo sentimos! Quando colocamos na
boca um alimento estragado, insuportavelmente amargo ou que não gostamos, não
temos muita dúvida e colocamos para fora, mas por que estes agentes colocamos
para dentro?
Por que não dar um basta? Por que não evitar? Por que
participar deste jogo letal? Se pensarmos bem perceberemos que já engolimos muita
coisa nociva. Que tal colocar para fora? Limpar-se e ser pelo menos coerente
com suas necessidades de bem viver com certa dignidade.
Ninguém precisa acreditar no que não acredita. Ninguém
precisa abaixar sua cabeça aceitando o que sua alma rejeita. Ninguém precisa
seguir um padrão que não lhe corresponde. Ninguém precisa fazer de si mais um
boneco sem vida manipulado por quem o queira.
Está ruim? Sabe que lhe fará mal? Não confia? Não dá para engolir? Então não engula, defenda-se. Preserve sua integridade. Preserve sua verdade. Preserve sua vida.